Caso Mãe Bernadete: reús pelo assassinato vão a júri nesta terça

Quase três anos após o crime bárbaro que abalou a Bahia e repercutiu em todo o Brasil, dois homens denunciados pelo Ministério Público estadual pelo assassinato da ialorixá e líder do ‘Quilombo Pitanga dos Palmares’, Maria Bernadete Pacífico Moreira, Mãe Bernadete,vão a júri popular nesta terça-feira (24). A audiência será realizada em Salvador, às 8h, no Fórum Ruy Barbosa, a pedido dos advogados dos réus. Segundo a Justiça da Bahia, há possibilidade de o júri se estender até amanhã (25).

Serão julgados pelo Tribunal do Júri o apontado como mandante do crime e chefe do tráfico de drogas no local, Marílio dos Santos, e um dos executores, Arielson da Conceição Santos. Segundo o Ministério Público da Bahia, eles respondem por homicídio qualificado cometido por motivo torpe, meio cruel, com impossibilidade de defesa da vítima e utilização de arma de uso restrito. Arielson também responderá pelo crime de roubo. Os outros três denunciados, Sérgio Ferreira de Jesus, Josevan Dionísio dos Santos e Ydney Carlos dos Santos de Jesus serão julgados posteriormente.

Mãe Bernadete foi assassinada no dia 17 de agosto de 2023, na sede da associação quilombola, na comunidade de Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. Ela foi atingida por 25 disparos em diversas partes do corpo, dentro da própria residência. No momento da execução, três netos da líder, de 12, 13 e 18 anos, estavam na casa. A brutalidade da cena e o fato de o crime ter ocorrido no espaço que simbolizava resistência e proteção da comunidade ampliaram a indignação pública.

De acordo com as investigações da Polícia Civil, no âmbito da “Operação Pacific”, com apoio do Gaeco do Ministério Público e da 7ª Promotoria de Justiça de Simões Filho, a motivação do assassinato estaria ligada à postura firme de Mãe Bernadete contra a expansão do tráfico de drogas dentro do quilombo.

A Tarde

Assassinato de Mãe Bernadete completa um ano neste sábado

O assassinato da líder quilombola Maria Bernadete Pacífico Moreira completou um ano neste sábado (17). Mãe Bernadete, como era conhecida, foi assassinada com 12 tiros no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador.

A Anistia Internacional Brasil, que acompanha o caso, lembrou que, no momento do crime, ela estava acompanhada de seus três netos, um jovem de 22 anos e dois adolescentes de 12 e 13 anos. “Com décadas de atuação pelo direito dos povos quilombolas no Brasil, Mãe Bernadete havia perdido o filho, Flávio Gabriel dos Santos, ‘Binho do Quilombo’, que também era ativista, assassinado em 2017”, diz a nota divulgada pela entidade.

Segundo Ministério Público do Estado da Bahia, os três homens que foram denunciados pela morte de Mãe Bernadete – Arielson da Conceição Santos, Marílio dos Santos e Sérgio Ferreira de Jesus – vão a júri popular. Eles foram denunciados pelos crimes de homicídio qualificado por motivo torpe, de modo cruel, sem possibilidade de defesa da vítima. Josevan Dionísio dos Santos e Ydney Carlos dos Santos de Jesus, que também foram denunciados, estão foragidos.

Mãe Bernadete era alvo de ameaças por conta de sua luta política e, desde 2017, tinha sido incluída no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas (PPDDH). A pesquisa “Linha de Frente: violência contra defensoras e defensores de direitos humanos no Brasil”, desenvolvida pelas organizações Terra de Direitos e Justiça Global revelou 1171 casos de violência, sendo 169 assassinatos e 579 ameaças, entre 2019 e 2022.

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