
A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSDB), protagonizou neste fim de semana uma cena que escancarou a contradição do seu discurso e a fragilidade do seu governo. Durante a 55ª edição da tradicional Missa do Vaqueiro, em Serrita, a chefe do Executivo estadual criticou o que chamou de “uso político” do evento, afirmando que “não é lugar para palanque”. O comentário, claramente direcionado ao prefeito do Recife, João Campos (PSB), que também participou da celebração, revelou mais do que incômodo: mostrou desespero diante da crescente popularidade do adversário que lidera as pesquisas para o Governo de Pernambuco em 2026.
A fala da governadora soou como um tapa na cara da inteligência do povo sertanejo. Afinal, quem mais tem feito política em cima de eventos populares é a própria Raquel, que só aparece no Sertão em datas festivas, quando há holofotes e oportunidade de fotos, sem apresentar soluções concretas para os graves problemas da região. Desde que assumiu o Palácio do Campo das Princesas, Raquel nunca realizou um despacho no Sertão, nunca promoveu um governo itinerante, e tampouco nomeou pessoas que verdadeiramente conhecem e defendem as causas do semiárido.
A presença de João Campos em Serrita parece ter incomodado mais do que deveria. O jovem prefeito, apesar de governar a capital, demonstra sintonia com o povo sertanejo, anda de chapéu de couro por convicção, não por figurino de ocasião. Raquel, por sua vez, veste a indumentária, sobe no palco e posa de sertaneja apenas em tempos de festa, buscando angariar simpatia onde falta ação e sobra demagogia.
Não é à toa que as pesquisas mostram um governo cada vez mais desaprovado pela população. O sertanejo, que resiste com dignidade, mesmo diante da seca e da ausência do Estado, está cansado de promessas vazias e discursos hipócritas. Quer respeito, quer presença, quer trabalho.
Raquel Lyra perdeu a chance de ficar calada. Fez politicagem enquanto acusava os outros de fazer política. E pior: subestimou a inteligência de um povo que já aprendeu a identificar quem só aparece para tirar foto e quem realmente arregaça as mangas para mudar a realidade do interior. O Sertão não é palanque, governadora, mas também não é palco para demagogia.



