
A apreensão entre os produtores de frutas do Vale do São Francisco, continua crescendo devido as tarifas que entram em vigor a partir do dia 6 de agosto. A ação atinge diretamente o mercado de manga e uva, que representa mais de 90% da exportação nacional dessas frutas.
No caso da manga, a dependência dos EUA chega a 50% das vendas entre agosto e novembro, período de maior produção da safra . Para a uva, o impacto é ainda mais acentuado: cerca de 95% da produção exportada sai do Vale com destino aos EUA .
Os produtores estimam prejuízos elevados. A Valexport, entidade representativa da região, alerta que o setor movimenta cerca de US$ 500 milhões por ano em exportações e emprega 250 mil pessoas diretamente e quase 1 milhão indiretamente . O presidente da Abrafrutas, Guilherme Coelho, declarou que os danos poderiam ultrapassar US$ 50 milhões e resultar em desemprego massivo .
Produtores regionais expressam preocupação de que até duas mil toneladas de frutas possam ficar represadas se não houver alternativas de escoamento. A referência é ao risco de “frutas apodrecerem nos pés”, sobretudo entre pequenos agricultores sem estrutura de redirecionamento de mercado.
Além dos impactos financeiros, o impacto humano é substancial: o setor responde por uma cadeia produtiva que envolve trabalhadores rurais, embaladores, irrigantes, técnicos agrícolas e pequenos empresários. A interrupção nas exportações pode provocar calamidade social em cidades sob forte dependência da fruticultura .
Em termos de perspectiva a curto prazo, até esta quinta-feira (31) não houve anúncio de revisão das tarifas por parte do governo dos EUA relacionada as frutas exportadas pelo Vale do São Francisco.
O setor continua em busca de apoio diplomático brasileiro, com mobilização do Itamaraty e Ministério da Agricultura, além de articulações para diversificação de mercados — como Europa, Ásia e Oriente Médio — e renegociação de contratos .



