
A articulação do senador Flávio Bolsonaro (PL) para fortalecer palanques do Partido Liberal nos estados tem provocado incertezas entre lideranças da direita em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país.
O foco da movimentação é a tentativa de lançar o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) como candidato ao governo estadual em 2026.
A iniciativa contraria os planos do vice-governador Mateus Simões (PSD), que trabalha para se viabilizar como sucessor do governador Romeu Zema (Novo). Apesar do incentivo de Flávio Bolsonaro, Nikolas tem se mostrado resistente à ideia de disputar o Executivo mineiro.
Em entrevista ao podcast Café com Ferri, transmitido pelo YouTube, o deputado descartou publicamente a possibilidade de candidatura. Segundo ele, a entrada na disputa seria “um prato cheio para a esquerda” e, neste momento, sua prioridade é a construção de base política.
Nikolas também respondeu a críticas de setores da direita sobre seu alinhamento com pautas do bolsonarismo, destacando que só integrará um projeto político com objetivos e estratégia bem definidos. O parlamentar reafirmou que Minas Gerais seguirá como sua principal prioridade política.
No início da semana, em entrevista ao portal Metrópoles, o deputado reforçou que será candidato à reeleição à Câmara dos Deputados em 2026 e afirmou que o PL ainda “trabalha para encontrar um candidato em Minas”, o que colocou em dúvida um eventual apoio do partido à candidatura de Mateus Simões.
Entre aliados do vice-governador, a hipótese de Nikolas concorrer é considerada remota, mas vista como um fator de risco ao projeto de unificar a direita em torno de uma única candidatura ao governo estadual.
Como parte da estratégia para a formação da chapa majoritária, Mateus Simões tem sinalizado a abertura de uma vaga ao Senado para o PL, em cumprimento a um acordo firmado com o ex-presidente Jair Bolsonaro no ano passado. Entre os nomes cotados estão o deputado federal Domingos Sávio (PL-MG), presidente do diretório estadual da legenda, e o pastor Edésio de Oliveira, pai de Nikolas Ferreira.
Já a indicação para a vaga de vice-governador deve ficar sob responsabilidade de Romeu Zema, pré-candidato à Presidência da República. O governador tende a escolher um nome do Partido Novo. Entre os cotados estão a vereadora de Belo Horizonte Fernanda Altoé, o ex-deputado Tiago Mitraud e o prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo, irmão do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos).
Cleitinho, por sua vez, tem manifestado interesse em disputar o governo de Minas e aparece à frente de Mateus Simões em levantamentos eleitorais. Procurado, Gleidson Azevedo afirmou que aceitaria ser candidato apenas se o irmão desistir da disputa.



