Influenciador evangélico usava fotos de fiéis que ele mesmo criticava para produzir vídeos sexualizados com IA

Jefferson de Souza é alvo da Polícia Civil de SP por suspeita de sexualizar imagens de jovens evangélicas com IA; defesa alega “sátira”.

O influenciador digital Jefferson de Souza, investigado pela Polícia Civil de São Paulo por utilizar Inteligência Artificial (IA) para sexualizar imagens de jovens fiéis da Congregação Cristã do Brasil (CCB), mantinha uma postura de vigilância moralista antes de se tornar alvo de inquérito. Em suas redes sociais, Souza frequentemente criticava as roupas das mulheres que frequentavam os cultos, afirmando que as vestimentas “marcavam o corpo”.

Contradição e Modus Operandi
Em vídeos publicados no TikTok, YouTube e Instagram, onde utiliza o pseudônimo “Silvio Souza” em paródia ao apresentador Silvio Santos, o influenciador comentava o comportamento das fiéis que postavam fotos em templos.

“As roupas que as irmãs usam são roupas que marcam o corpo. Eu não acho certo fazer filmagem dentro da igreja”, afirmava Jefferson em uma das gravações, ironicamente utilizando essas mesmas imagens como base para suas manipulações digitais.
À polícia, Souza admitiu utilizar fotos das jovens para criar conteúdos com a técnica de deepfake, que permite animar imagens estáticas ou alterar corpos e rostos de forma realista. O influenciador explicou que “jogava na IA” fotos de mulheres de costas para fazê-las dançar, alegando que o objetivo era apenas gerar engajamento e humor.

Investigação e Implicações Legais
O caso é conduzido pela 8ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), em São Mateus, Zona Leste da capital. As investigações ganharam força após uma adolescente de 16 anos, acompanhada pelos pais, registrar queixa contra o influenciador. Segundo a vítima, ele utilizou sua imagem sem autorização para criar montagens erotizadas.

Jefferson de Souza é investigado sob duas frentes principais:

Artigo 241-C do ECA: Suspeita de simular cenas de sexo ou pornografia com menores de idade por meio digital (pena de 1 a 3 anos de reclusão).
Difamação: Apuração de danos à honra de outras jovens maiores de idade expostas nos vídeos.
A delegada responsável, Juliana Raite Menezes, reiterou que “a internet não é uma terra sem lei” e que as proteções do mundo real se aplicam integralmente ao ambiente virtual.

Defesa e Retratação Parcial
Em nota, a defesa de Jefferson de Souza afirmou que as publicações possuíam “intuito de sátira e críticas de costumes”, negando qualquer intenção de promover exploração sexual ou atentar contra a dignidade das pessoas mencionadas.

No último domingo de Páscoa (5 de abril), o influenciador publicou um vídeo pedindo “perdão público” aos membros da CCB pela forma como criticou a instituição. Entretanto, o pedido de desculpas não mencionou a criação das deepfakes ou a exposição das mulheres e adolescentes, limitando-se a dizer que seria “mais cauteloso” em suas críticas verbais.

O inquérito segue em andamento com acompanhamento do Ministério Público e da Justiça de São Paulo.

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