
O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Frutas (Abrafrutas), Guilherme Coelho, participou de reunião com o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, para tratar dos impactos da nova tarifa imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
Durante a conversa com autoridades e representantes do setor produtivo, o empresário petrolinense alertou para a grave situação enfrentada pelos produtores de manga do Vale do São Francisco. Segundo ele, a safra da fruta começa em agosto — exatamente quando entra em vigor a nova taxação de 50% determinada pelo presidente dos EUA, Donald Trump. Atualmente, o imposto de importação está em 10%.
Guilherme destacou que o setor ocupa cerca de 2 milhões de hectares e gera em torno de 5 milhões de empregos no Brasil, tendo os EUA como principal destino da produção. O setor já se preparava para a temporada: 2.500 contêineres foram contratados, assim como embalagens e espaço em navios. “O setor está inseguro e os produtores em pânico”, afirmou.
Ele também explicou que redirecionar a exportação para a Europa não é viável, pois os preços cairiam drasticamente, e o mercado interno não conseguiria absorver o volume, o que poderia gerar colapso no setor.
Na coletiva após a reunião, Guilherme Coelho criticou a postura do presidente norte-americano, dizendo que “Trump taxou antes de dialogar”. Por outro lado, elogiou a iniciativa do governo brasileiro de buscar o entendimento e abrir canais de negociação diplomática.
Outros setores também relataram dificuldades. A indústria da carne informou que suspendeu a produção destinada ao mercado americano. Um lote de 30 mil toneladas, avaliado em US$ 150 milhões, pode ser inviabilizado com a nova taxação. A carne brasileira é amplamente utilizada na produção de hambúrgueres nos EUA.
As negociações com os Estados Unidos seguem em andamento.



