
Setor de confecções do Agreste teme perda de competitividade com a suspensão da taxação sobre compras internacionais de até US$ 50
A decisão do governo federal de zerar o imposto sobre compras internacionais de até US$ 50, medida conhecida como fim da “taxa das blusinhas”, acendeu um sinal de alerta no Polo Têxtil do Agreste de Pernambuco.
Representantes do setor avaliam que a medida pode prejudicar a indústria regional, que reúne milhares de empresas e é responsável por uma das principais cadeias de geração de emprego e renda do estado.
O CEO do Rota do Mar, Arnaldo Xavier, classificou a concorrência com plataformas asiáticas como desleal. Segundo ele, enquanto produtos importados chegam ao consumidor com menor carga tributária, a indústria nacional enfrenta uma estrutura de custos muito mais elevada.
O Polo Têxtil do Agreste, formado por cerca de 17 municípios, com destaque para Caruaru, Santa Cruz do Capibaribe e Toritama, movimentou R$ 18,6 bilhões em 2025, crescimento de 19,2% em relação ao ano anterior.
De acordo com o setor, aproximadamente 80% das vendas são direcionadas ao público de menor renda, o mesmo segmento atendido pelas plataformas internacionais. Para os empresários, a redução da taxação pode voltar a pressionar o mercado e comprometer a recuperação das empresas locais.
Arnaldo Xavier afirma que, quando as compras internacionais estavam sem tributação, o impacto sobre as vendas do polo foi significativo. Segundo ele, o setor não aceita o retorno desse cenário e pretende intensificar a mobilização junto a lideranças políticas.
Entidades como a Associação Comercial e Industrial de Toritama e a CDL articulam reuniões com prefeitos, parlamentares e representantes do governo estadual para discutir alternativas e defender condições mais equilibradas de concorrência.
Entre os principais pleitos estão a manutenção da taxação sobre produtos importados, a revisão da carga tributária sobre a produção nacional e a garantia de segurança jurídica para investimentos já realizados pelo setor.
Para os empresários, a discussão vai além da competitividade e envolve a preservação de empregos, renda e da força econômica de uma das regiões mais produtivas de Pernambuco.



