
O leilão de concessão dos serviços da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), realizado nesta quinta-feira, dia 18, na B3, em São Paulo, marcou um dos maiores movimentos do setor de saneamento do país e abriu um novo capítulo político em Pernambuco.
O certame foi comemorado pelo Governo do Estado como um avanço para a universalização da água e do esgotamento sanitário, mas provocou críticas imediatas da oposição, que questiona o modelo adotado e possíveis impactos sociais e tarifários.
Ao todo, a concessão prevê cerca de R$ 19 bilhões em investimentos privados ao longo de 35 anos, abrangendo 175 dos 185 municípios pernambucanos. A Compesa continuará responsável pela produção e venda da água tratada às concessionárias.
O estado foi dividido em dois blocos. O bloco Pajeú, com 151 municípios, ficou com o consórcio Acciona–BRK Ambiental. Já o bloco Sertão, com 24 cidades, foi arrematado pela empresa ligada ao fundo Pátria Investimentos.
Somadas, as outorgas renderão aproximadamente R$ 4,2 bilhões aos cofres do Estado, com propostas que superaram amplamente os valores mínimos previstos no edital.
A governadora Raquel Lyra acompanhou o leilão presencialmente e afirmou que a concessão representa “um novo tempo para Pernambuco”, destacando a ampliação do acesso à água como uma questão humanitária.
Já a oposição criticou o processo. Parlamentares alertaram para riscos de aumento na tarifa, impactos sobre trabalhadores da Compesa e questionaram dados do edital sobre a infraestrutura de esgoto em alguns municípios.
Deputados afirmaram que o modelo exigirá fiscalização permanente, enquanto o governo defende que a concessão está alinhada ao marco legal do saneamento e às metas de universalização até 2033.



