Tempo de TV vira moeda-chave na corrida eleitoral e partidos intensificam alianças

Com o fim da janela partidária e do prazo de desincompatibilização, o cenário político entra em uma nova fase: a disputa por alianças que garantam mais tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão, que começa oficialmente no dia 28 de agosto.

A estratégia dos partidos está diretamente ligada ao tamanho das bancadas na Câmara dos Deputados. Pela legislação eleitoral, 90% do tempo de propaganda é distribuído de forma proporcional ao número de deputados federais de cada partido ou federação, enquanto os outros 10% são divididos igualmente entre os candidatos que superaram a cláusula de barreira.

Levantamento do cientista político Henrique Cardoso Oliveira, da Fundação 1º de Maio, mostra que a maior fatia do tempo ficará com a Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, que soma 106 deputados e terá cerca de 2 minutos e 28 segundos de propaganda.

Na sequência aparecem o PL, com 99 deputados e pouco mais de 2 minutos, e a federação formada por PT, PCdoB e PV, com 81 parlamentares e quase 2 minutos de tempo de TV e rádio.

Outros partidos também terão participação relevante, como MDB e PSD, ambos com 42 deputados e cerca de 59 segundos cada. Republicanos, com 40 parlamentares, aparece logo depois, com aproximadamente 56 segundos.

Na faixa intermediária estão federações e partidos como PSDB-Cidadania, Podemos e PDT, com tempos que variam entre 26 e 31 segundos. Já PSOL-Rede e PSB terão cerca de 23 segundos cada, enquanto PRD-Solidariedade aparece com pouco mais de 22 segundos.

Com menor tempo de exposição estão partidos como Avante, que terá cerca de 13 segundos de propaganda eleitoral.

O estudo considera a composição da Câmara a partir das eleições de 2022 e não inclui o partido Novo, que não atingiu a cláusula de desempenho exigida.

Um ponto importante no cenário atual é que, se os pré-candidatos anunciados até agora forem mantidos, apenas três partidos terão direito à propaganda eleitoral para presidente: PT, PSD e PL, por terem cumprido a cláusula de barreira nas últimas eleições.

Outras siglas que já apresentaram nomes para a disputa, como Novo, DC e Missão, não terão acesso ao tempo de rádio e TV, o que reduz significativamente sua visibilidade durante a campanha.

Diante disso, a tendência é que os pré-candidatos intensifiquem a busca por alianças, principalmente com partidos do chamado Centrão, que concentram grandes bancadas e, consequentemente, maior tempo de exposição nos meios de comunicação.

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