Pernambuco bate mais um recorde de violência e registra, em média, 18 assassinatos por dia em março

No primeiro trimestre deste ano já são 1.522 homicídios, 466 a mais do que no mesmo período de 2016

Daniel da Silva Santos, 32 anos, Maycon Renan Duarte Brito, 28, Luiz Carlos Estevão dos Santos, 32, Cícero Romão Neto, 23… A lista é extensa. Ao todo, 548 pessoas foram assassinadas em Pernambuco no mês de março, uma média de 17,6 por dia. Um recorde nada desejado (fevereiro já havia apresentado o maior número em dez anos, com 498 homicídios) que vem sendo superado mês a mês e que deixa sucessivas tragédias familiares perdidas entre os números.

Com as estatísticas do mês de março, divulgadas no site da Secretaria de Defesa Social e publicadas em primeira mão pelo blog Ronda JC, Pernambuco contabiliza 1.522 homicídios em três meses, 466 pessoas (44%) a mais do que no mesmo período de 2016, que teve 1.056 assassinatos.

O Interior do Estado é a região que apresenta dados mais preocupantes. No total, 828 mortes, sendo 295 somente em março. Na Região Metropolitana foram 454 homicídios, 157 no último mês. Já na capital pernambucana, houve 240 mortes, 96 em março. O balanço indica também um aumento nas ocorrências de estupro entre fevereiro (155) e março (165), somando 497 no trimestre. Os casos de violência doméstica saltaram de 2.464 para 2.659, totalizando 8.065 em três meses

Há uma pequena queda dos Crimes Violentos contra o Patrimônio (CVP, roubos em geral) entre março (10.321) e fevereiro (9.962), apesar de os números em gerais serem bastante altos: 31.570 ocorrências em três meses. Também consta no balanço redução de assaltos a ônibus de 177 para 147, totalizando 523 no trimestre, cerca de um terço do número contabilizado pelo Sindicato dos Rodoviários.

Já o roubo de veículos subiu de 1.603 em fevereiro para 1.881 em março, somando 5.261 casos no trimestre. E o furto de veículos saiu de 572 para 584, totalizando 1.791 nos três meses. As investidas contra instituições bancárias subiram de 11 para 17.

Com informações do NE10.

Pai de Beatriz critica Secretaria de Defesa Social por omitir informações à imprensa local

Sandro Romilton, pai de Beatriz Angélica, morta brutalmente com várias facadas em dezembro de 2015 em Petrolina

Ao termino de sua participação ao lado de sua esposa Lúcia Mota, na Tribuna da Câmara Municipal de Petrolina, o pai da menina Beatriz Angélica, Sandro Romilton, criticou a Secretaria de Defesa Social por realizar as entrevistas coletivas em Recife e não em Petrolina onde o crime ocorreu, inclusive evitando os questionamentos da imprensa e dos próprios pais da vítima.

“Eles vão até a capital porque acham que lá a repercussão é maior, tem os meios de comunicação maiores, mas de todas as formas o meu questionamento foi sempre esse com a doutora,  a imprensa local, a imprensa da nossa região do Vale do São Francisco, ela tem os questionamentos mais apurados, ela tem um conhecimento mais aprofundado do que aconteceu de verdade do fato. A impressão que se dá é de que há uma fuga sim, eles vão até a capital para aparecer na mídia nacional, fugindo das perguntas, inclusive perguntas nossas, porque se a coletiva fosse aqui em Petrolina eu faria questão de está presente para fazer as minhas perguntas, como eu fiz e Lúcia fez ao Ministério Público, então fica essa crítica a Secretaria de Defesa Social, a essa estratégia que a delegada usou recentemente, para que isso não aconteça mais e que as perguntas sejam respondidas às claras”, ponderou.

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Associação dos Delegados de Polícia de Pernambuco envia nota à imprensa sobre denúncia do Sinpol na investigação da morte de alvo da Operação Turbulência

Símbolo da Adeppe (Foto: Internet)

Símbolo da Adeppe (Foto: Internet)

A Associação dos Delegados de Polícia de Pernambuco (Adeppe) mostrou-se incomodada com a denúncia do Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol) sobre a interferência da Secretaria de Defesa Social (SDS), que, segundo o Sinpol, teria barrado a realização da perícia papiloscópica no quarto do motel Tititi, onde foi encontrado o corpo do empresário Paulo César de Barros Morato. Confira:

“NOTA À IMPRENSA

A Associação dos Delegados de Polícia de Pernambuco (Adeppe) vem a público externar que considera preocupante a denúncia oriunda do Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol), acerca da interferência da Secretaria de Defesa Social (SDS) nos trabalhos de investigação da morte do Sr. Paulo César de Barros Morato, um dos alvos da Operação Turbulência, da Polícia Federal, mais precisamente no tocante ao impedimento de realização de perícia em local de crime.

É de se esclarecer que a condução de uma investigação criminal é de competência exclusiva do Delegado ou Delegada de Polícia presidente das investigações, a quem cabe, privativamente, decidir sobre a necessidade, ou não, de realização de qualquer tipo de perícia. Uma vez requisitada a perícia, não cabe a nenhum gestor público, mesmo que ocupante de alto escalão de Governo, interferir ilegalmente na condução da investigação.

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