
A retirada da tarifa adicional de 10% para 238 produtos exportados aos Estados Unidos foi recebida como um sinal de disposição para o diálogo, mas considerada insuficiente pela maior parte das entidades do setor produtivo brasileiro.
O principal entrave, segundo representantes da indústria e do agronegócio, permanece: a sobretaxa de 40% imposta pelo governo Donald Trump no fim de julho, ainda válida para a maior parte dos itens nacionais.
Entre os 238 produtos contemplados, apenas quatro passam a ter isenção total — três tipos de suco de laranja e a castanha-do-pará. Os demais continuam sujeitos à tarifa extra, incluindo itens relevantes da pauta brasileira, como café, carne bovina, frutas e hortaliças.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou a medida como “gesto positivo”, mas insuficiente para restabelecer competitividade. Os itens beneficiados representaram US$ 4,6 bilhões em exportações em 2024, cerca de 11% do total enviado aos EUA. Para a entidade, a manutenção da sobretaxa mantém o Brasil em desvantagem frente a concorrentes que não enfrentam as mesmas barreiras.
A Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) avaliou que o corte representa um avanço limitado, destacando que setores importantes do estado, como carnes e café, seguem impactados.
A Abiec, que representa indústrias exportadoras de carne bovina, foi a mais otimista. Para o setor, a redução de 10 pontos percentuais devolve previsibilidade ao comércio bilateral e reconhece a relevância da proteína brasileira no mercado global. A tarifa total, entretanto, permanece elevada: caiu de 76,4% para 66,4%.
No setor cafeeiro, o Cecafé adotou postura cautelosa e aguarda análises detalhadas sobre o impacto da medida. O Brasil, maior produtor de arábica do mundo, enfrenta concorrentes que receberam reduções mais expressivas — como Colômbia e Vietnã, que tiveram tarifas zeradas ou praticamente zeradas. O vice-presidente Geraldo Alckmin classificou essa diferença como um desafio adicional para a competitividade do café brasileiro.
Para as entidades, o governo brasileiro precisará intensificar as negociações diplomáticas para tentar derrubar a sobretaxa de 40%, considerada decisiva para recuperar espaço no mercado norte-americano.



