Polícia Federal descobre esquema que desviou R$ 40 milhões da Farmácia Popular para financiar tráfico de drogas

Uma investigação da Polícia Federal revelou um esquema criminoso que usou farmácias de fachada em várias regiões do Brasil para desviar quase R$ 40 milhões do programa Farmácia Popular.

A organização também teria lavado dinheiro do tráfico e financiado a compra de cocaína na Bolívia e no Peru.

O grupo fraudava o programa utilizando CPFs e endereços de pessoas inocentes, além da compra e venda de CNPJs de empresas de fachada administradas por laranjas. A operação começou a ser descoberta após apreensão de drogas em Luziânia (GO), mas as irregularidades foram identificadas em diversos estados, como Goiás, Pernambuco, Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul.

Na comunidade Portal da Barragem, em Águas Lindas (GO), duas farmácias que nunca existiram oficialmente receberam juntas quase R$ 500 mil do programa. O Farmácia Popular oferece medicamentos gratuitos ou com desconto de até 90%, exigindo receita médica, CPF e documento com foto para o acesso.

Rafael Bruxellas Parra, diretor do Departamento Nacional de Auditoria do SUS, informou que diariamente são barradas cerca de 140 mil tentativas de autorizações irregulares no programa.

Entre as vítimas está o dentista Gustavo, de Sumaré (SP), cujo CPF foi usado para retirar até 20 caixas mensais de insulina, medicamento que ele nunca precisou. A falsa compra foi registrada na Drogaria PHS Limitada, em Campo Belo (MG), cujo suposto responsável é Francisca Ferreira de Souza, empregada doméstica registrada como dona de cinco farmácias em diferentes estados.

Francisca, moradora de uma casa simples em Luziânia, movimentou quase R$ 500 mil com a farmácia mineira. Seu marido, Brazilino Inácio dos Santos, é sócio de dez empresas que movimentaram cerca de R$ 2,5 milhões entre 2018 e 2019.

A Polícia Federal investiga se parte desse dinheiro foi repassado a Fernando Piolho. Também foi constatado que Célia Aparecida Carvalho negociou farmácias com Adriano Rezende Rodrigues, conhecido como Adriano Tatu. Uma drogaria de Cerquilho (SP), da qual Tatu é sócio, recebeu quase R$ 1 milhão do programa.

No total, a quadrilha utilizou cerca de 160 mil CPFs e 148 farmácias reais ou fictícias para executar o esquema criminoso.

As informações são do G1 

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