Petrobras e postos negam responsabilidade por alta nos combustíveis em audiência na Câmara

Representantes do setor atribuem reajustes à instabilidade global e defendem mudanças estruturais para proteger o consumidor.

Em debate realizado na Comissão de Finanças e Tributação nesta terça-feira (14), representantes da Petrobras e da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis (Fecombustíveis) afirmaram que não são os responsáveis pelos aumentos recentes nos preços. O encontro abordou o desafio de equilibrar a livre concorrência com a proteção ao consumidor em um cenário de forte instabilidade econômica global.

O papel de cada elo na cadeia
Os representantes explicaram que as variações nas bombas são frequentemente atribuídas ao setor de forma equivocada:

Petrobras: Diogo Bezerra, gerente de Previsão de Preços, ressaltou que a empresa responde por apenas uma parte do valor final. Na gasolina, por exemplo, a parcela da Petrobras é de R$ 1,80, dentro de um preço médio nacional de R$ 6,77. O restante é composto por impostos federais e estaduais, custo do etanol anidro e as margens de lucro de distribuidores e postos.

Revendedores: James Thorp Neto, presidente da Fecombustíveis, classificou os postos como o elo mais frágil. Ele explicou que o revendedor apenas reflete os custos da distribuição e lida com variáveis como os créditos de descarbonização.

Impacto dos conflitos internacionais
A audiência analisou como os conflitos no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, desestabilizam o mercado internacional de petróleo. Essa pressão externa causou saltos significativos nos preços em curto período: entre a última semana de fevereiro e o início de março, a gasolina subiu de R$ 6,28 para R$ 6,77, enquanto o óleo diesel saltou de R$ 6,09 para R$ 7,58.

Defesa de mudanças estruturais
Houve um consenso entre parte dos debatedores de que o Brasil precisa de uma nova estratégia para evitar crises cíclicas:

Fortalecimento da Petrobras: O deputado Pedro Uczai (PT-SC) e a diretora técnica do Ineep, Ticiana Alvares, defenderam o fortalecimento da estatal e a reestatização da BR Distribuidora. Segundo eles, a privatização de ativos estratégicos reduziu a capacidade do Estado de conter crises.

Risco Social: Ticiana alertou que, sem uma Petrobras forte e integrada, o preço do diesel poderia chegar a R$ 10,00 em todo o país, agravando o impacto social.

O presidente da comissão, deputado Merlong Solano (PT-PI), destacou que medidas paliativas do governo, como a redução do PIS/Cofins, têm limite. Ele reforçou a necessidade de maior transparência e fiscalização para entender o que ocorre em cada etapa do setor de combustíveis.

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