Perdas com apostas online chegam a R$ 38,8 bilhões ao ano, aponta estudo

As apostas online, popularizadas pelas bets, têm provocado prejuízos econômicos e sociais estimados em R$ 38,8 bilhões anuais no Brasil. O dado é do estudo A saúde dos brasileiros em jogo, divulgado nesta terça-feira (2) por instituições dedicadas à saúde pública e pela Frente Parlamentar Mista para Promoção da Saúde Mental.

O levantamento estima que 17,7 milhões de brasileiros apostaram em apenas seis meses e que cerca de 12,8 milhões estão em situação de risco. A maior parte do prejuízo está ligada a impactos na saúde, como depressão, ansiedade e risco de suicídio.

Entre os custos calculados pelo estudo estão: R$ 17 bilhões por mortes adicionais por suicídio; R$ 10,4 bilhões por perda de qualidade de vida com depressão; R$ 3 bilhões em tratamentos médicos; R$ 2,1 bilhões com seguro-desemprego; R$ 4,7 bilhões relacionados ao encarceramento; R$ 1,3 bilhão por perda de moradia.

O relatório aponta que o crescimento do setor é favorecido pela falta de regulação, forte exposição midiática e ausência de políticas públicas estruturadas. Em 2024, os brasileiros gastaram cerca de R$ 240 bilhões em apostas

incluindo R$ 3 bilhões em transações feitas por beneficiários do Bolsa Família.

Mesmo com o aumento recente da tributação, as bets arrecadaram R$ 8 bilhões até outubro, número considerado insuficiente diante dos danos calculados. Atualmente, a atividade é taxada em 12% sobre a receita bruta, e propostas em tramitação no Senado sugerem elevar a alíquota para até 24%.

O estudo também critica a baixa destinação dos recursos à saúde: apenas 1% do valor arrecadado foi repassado ao Ministério da Saúde até agosto.

Instituições envolvidas na pesquisa defendem medidas como aumento da tributação destinada à saúde, restrição de propagandas, formação de profissionais para acolhimento no SUS, regras rígidas para empresas e mecanismos de proteção ao usuário, como autoexclusão e controle de acesso, já adotados no Reino Unido.

A atividade emprega oficialmente 1.144 trabalhadores no Brasil, número considerado pequeno. O estudo também aponta alta informalidade, com 84% dos trabalhadores sem contribuição previdenciária.

O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), que representa cerca de 75% do mercado, se manifestou contra a proposta de aumento de impostos, afirmando que alíquotas mais altas poderiam fortalecer o mercado clandestino.

Deixe um comentário