Governo estuda liberação de 20% do FGTS para pagamento de dívidas

O Ministro da Fazenda, Dario Durigan, revelou que o governo federal estuda autorizar um saque extraordinário de até 20% do saldo das contas individuais do FGTS para que trabalhadores possam quitar dívidas com juros elevados. Em entrevista à Folha de S.Paulo, o ministro destacou que a prioridade da gestão atual é reduzir o endividamento da população por meio do estímulo ao crédito sustentável e da renegociação de débitos sob condições mais favoráveis.

A proposta, voltada especificamente para quem recebe até cinco salários mínimos — grupo que compõe 92% dos brasileiros —, está sendo desenhada para garantir o alívio financeiro das famílias sem comprometer a sustentabilidade a longo prazo do fundo.

A estratégia governamental ocorre em um cenário de nova pressão sobre o orçamento das famílias e empresas, provocado pela alta dos juros entre o fim de 2024 e o decorrer de 2025. Segundo Durigan, existe uma relação direta entre a elevação da taxa Selic e o aumento da inadimplência, o que motiva a busca por soluções que não envolvam gasto público direto. O plano consiste em induzir instituições financeiras a oferecerem descontos significativos no saldo devedor, que podem chegar a 90%, enquanto o governo oferece garantias contra eventuais inadimplências através do Fundo de Garantia de Operações (FGO).

Além do saque de 20%, o ministério trabalha em uma correção relacionada ao saque-aniversário com crédito consignado, medida que deve injetar cerca de R$ 7 bilhões na economia. Somadas as iniciativas, a expectativa é que mais de 30 milhões de pessoas sejam beneficiadas pelas renegociações. Durigan reforçou que o uso do FGTS será estritamente opcional e limitado, com um impacto financeiro estimado em R$ 7 bilhões, funcionando como um suporte para viabilizar o refinanciamento de dívidas caras por linhas de crédito com juros mais baixos.

Deixe um comentário