
Um levantamento inédito revelou a dimensão da presença de espécies exóticas invasoras no Brasil: são 489 espécies registradas em 187.160 pontos georreferenciados em todo o território nacional.
O estudo, publicado no artigo “Georeferenced database of invasive non-native species occurrences in Brazil”, lançado em outubro de 2025, reúne dados validados por especialistas e consolida o primeiro banco de dados nacional sobre invasões biológicas.
A pesquisa contou com a participação do Núcleo de Ecologia e Monitoramento Ambiental (NEMA), vinculado à Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), em Petrolina (PE). O trabalho envolveu mais de 75 especialistas e utilizou informações de bases como a Global Biodiversity Information Facility (GBIF), além de planos de manejo, publicações científicas e dados oficiais de órgãos ambientais.
Os registros abrangem espécies dos reinos Animalia, Plantae e Chromista, distribuídas em ambientes terrestres, aquáticos e marinhos. Cada ocorrência passou por um processo de validação técnica e espacial, garantindo a precisão das informações. Para casos sem coordenadas exatas, foi utilizado o centróide municipal, com indicação da incerteza geográfica, evitando distorções como registros de espécies terrestres em áreas marítimas.
O banco de dados já vem sendo aplicado em Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro, além de ter subsidiado normas federais, como a Instrução Normativa 510/2025 do ICMBio. Ele se tornou uma ferramenta essencial para políticas públicas, planejamento ambiental, modelagem ecológica e projetos de ciência cidadã, como o aplicativo Invasoras BR, que permite à população contribuir com registros de novas ocorrências.
Para o professor Renato Garcia Rodrigues, coordenador do NEMA/Univasf, a participação da instituição “demonstra a robustez do banco de dados sobre a biodiversidade da Caatinga e fortalece o papel da Univasf como referência científica no semiárido”. Já o pesquisador Matheus Silva Asth, também autor do estudo, destacou que “saber quais espécies estão invadindo e onde estão localizadas é essencial para desenhar políticas de conservação eficazes”.
Mais do que um compilado de dados, o banco se consolida como instrumento estratégico para o enfrentamento das invasões biológicas no país, integrando ciência, gestão pública e participação social em prol da preservação da biodiversidade brasileira.



