
Apesar das ações adotadas pelo governo federal para conter os impactos da alta do petróleo no mercado internacional, distribuidoras e postos de combustíveis vêm ampliando suas margens de lucro nas últimas semanas.
Um levantamento do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais (Ibeps) aponta que, desde o início do conflito envolvendo o Irã, em 28 de fevereiro, as margens cresceram, em média, mais de 30% em combustíveis como diesel S-10, diesel S-500 e gasolina comum.
O diesel S-500 registrou o maior aumento, com alta de 71,6% nas margens. Já o diesel S-10 teve crescimento de 45%, enquanto a gasolina comum apresentou elevação de 32,2%.
Os dados têm como base informações do Ministério de Minas e Energia (MME), extraídas do Relatório Mensal do Mercado de Derivados de Petróleo.
Mesmo com medidas como a isenção de impostos federais sobre o diesel, aumento do imposto de exportação do petróleo e incentivos financeiros ao setor, os repasses ao consumidor não têm acompanhado essas reduções.
Segundo o economista Eric Gil Dantas, do Ibeps, dois fatores ajudam a explicar o aumento das margens ao longo dos últimos anos. O primeiro é a forte alta e volatilidade dos preços entre 2021 e 2022, período em que a política de Preço de Paridade de Importação (PPI) foi adotada pela Petrobras, elevando significativamente os valores dos combustíveis.
O segundo fator está relacionado à privatização de empresas como a BR Distribuidora e a Liquigás, que antes atuavam como reguladoras indiretas das margens no mercado. Com a saída dessas estatais, houve maior liberdade para definição de preços pelas empresas privadas.
Além disso, a recente escalada do preço do petróleo, que ultrapassou os US$ 100 por barril devido às tensões no Oriente Médio, tem pressionado toda a cadeia de combustíveis.
O impacto vai além dos postos. O aumento do diesel, essencial para o transporte de cargas, encarece alimentos, produtos industriais e serviços. O agronegócio também é afetado, com custos maiores em máquinas e fertilizantes — estes últimos fortemente importados do Irã.
Levantamento da Agência Nacional do Petróleo (ANP) indica que o preço médio do diesel no Brasil subiu cerca de 20% em apenas 15 dias. A tendência é que novos reajustes ainda sejam observados, a depender do cenário internacional.
Enquanto isso, entidades do setor evitam comentar diretamente a formação de preços, alegando tratar-se de estratégia individual das empresas.



