
A maior investigação já conduzida pelo Ministério Público de São Paulo contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) foi encerrada sem aplicação de pena aos acusados.
A 2ª Vara de Presidente Prudente reconheceu, em 2 de dezembro deste ano, a prescrição da pretensão punitiva e declarou extinta a punibilidade de todos os réus, entre eles Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado há mais de 20 anos como líder da facção.
A ação teve como base um dossiê produzido ao longo de três anos e meio, reunindo milhares de interceptações telefônicas, documentos, relatórios, apreensões de armas e drogas e depoimentos que embasaram a denúncia contra 175 integrantes do PCC. À época, promotores do Gaeco classificaram o trabalho como o maior mapeamento já feito sobre o crime organizado no país.
Apresentada em 2013, a denúncia detalhava a estrutura da facção, a cadeia de comando, o fluxo de drogas e armas, fornecedores internacionais, planos de homicídios, resgates e atentados, além de estimar o faturamento em cerca de R$ 10 milhões por mês. O MP pediu a internação de 32 líderes no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) e a prisão preventiva de 112 acusados.
Apesar do conjunto de provas, o processo não avançou para julgamento. Liminares, recursos, desmembramentos da ação penal e discussões de procedimento se estenderam por mais de uma década. Quando o mérito foi analisado, em 2025, os prazos para punição já estavam superados.
No despacho, a juíza responsável apontou que todos os crimes imputados estavam prescritos, considerando o tempo decorrido desde os fatos, as penas máximas previstas e a ausência de sentença no período. Com isso, determinou a absolvição de todos os investigados.



