
O caso da comerciante Adriana Barros Lima Laurentino, que chocou o Recife em janeiro de 2025, teve um novo desdobramento decisivo. A Justiça de Pernambuco determinou a prisão preventiva do médico Marcelo Alves Vasconcelos, investigado pela morte da paciente após uma bioplastia de glúteos.
O mandado foi expedido no dia 27 de março pela juíza Danielle Christine Melo, da 3ª Vara do Tribunal do Júri da Capital. Até o momento, o médico é considerado foragido.
Por que a prisão foi decretada?
A magistrada destacou que a medida é necessária para preservar a ordem e a saúde pública. Um dos pontos mais graves apontados na decisão é que o médico teria continuado a realizar procedimentos estéticos mesmo após as denúncias e o início das investigações.
Entenda os detalhes do caso
O Ministério Público denunciou Marcelo Alves Vasconcelos por homicídio qualificado. Confira os principais pontos levantados pela investigação:
Exercício ilegal da medicina: Na época do procedimento, o médico não possuía registro profissional válido em Pernambuco (o CRM local só foi regularizado após o óbito).
Uso de substância proibida: Foram aplicados cerca de 360 ml de PMMA (polimetilmetacrilato). A Anvisa não recomenda o uso desse material para fins puramente estéticos devido ao alto risco.
Falta de protocolos: A investigação aponta que não houve solicitação de exames prévios ou avaliação detalhada da saúde de Adriana.
Causa da morte:
O laudo indicou choque séptico (infecção generalizada). Adriana foi encontrada morta no banheiro de sua casa apenas um dia após a cirurgia, pela qual pagou R$ 21 mil.
“O médico tinha pleno conhecimento dos riscos associados ao uso de PMMA, mas mesmo assim realizou o procedimento, assumindo o risco do resultado fatal”, afirmou a Polícia Civil.
Próximos passos na Justiça
A defesa da família, representada pelo advogado Felipe Alef, vê a prisão como uma medida essencial para evitar que outras pessoas sejam colocadas em risco. “A resposta do sistema de justiça deve ser exemplar”, destacou o jurista.
O que vem agora:
Buscas: A Polícia Civil realiza o monitoramento contínuo do Banco Nacional de Mandados de Prisão (CNJ) para localizar o médico.
Audiência: Marcada para o dia 22 de setembro. Nesta fase, serão ouvidas as testemunhas de acusação e defesa.
Júri Popular: Somente após a audiência de instrução, a Justiça decidirá se o réu irá a júri popular pelos crimes imputados.



