
Estado ocupa a terceira posição no ranking do Nordeste; cartões de crédito e despesas básicas impulsionam o endividamento.
Mais da metade da população adulta de Pernambuco fechou o mês de março de 2026 com o nome restrito. Segundo o mais recente Mapa da Inadimplência do Brasil, divulgado pela Serasa, o estado registra 3.679.641 devedores, o que equivale a 50,8% dos habitantes adultos em situação de inadimplência.
O índice pernambucano supera a média nacional, que encerrou o período em 50,51% (totalizando 82,8 milhões de brasileiros). No recorte regional, Pernambuco aparece como o terceiro estado com maior volume de inadimplentes no Nordeste, atrás apenas do Ceará (53,27%) e do Rio Grande do Norte (51,33%). No ranking nacional, o estado ocupa a 13ª posição.
Perfil do Endividamento
Os dados revelam que a inadimplência no estado tem rosto feminino e maturidade:
Gênero: Mulheres representam 53,5% dos inadimplentes.
Faixa Etária: O grupo entre 41 e 60 anos lidera o ranking (35,7%), seguido de perto pelos adultos de 26 a 40 anos (33,4%).
Demais grupos: Idosos (acima de 60 anos) compõem 19,3% do total, enquanto jovens de 18 a 25 anos somam 11,6%.
O Peso do Setor Financeiro
Um levantamento complementar da Serasa, em parceria com o instituto Opinion Box, detalha que o setor financeiro é o grande detentor do passivo brasileiro, concentrando 47% das dívidas — um montante que chega a R$ 557,7 bilhões.
Os bancos figuram como os principais credores (27% dos débitos totais). O estudo destaca um comportamento de fidelidade involuntária: 49% dos endividados possuem múltiplas pendências em uma única instituição financeira.
As principais fontes de dívida bancária são:
Cartão de Crédito: 73%
Empréstimos: 56%
Cheque Especial: 33%
A gravidade do cenário é acentuada pelo tempo e valor: entre os que devem no cartão, 37% possuem débitos acima de R$ 10 mil e 36% lutam contra essas pendências há mais de dois anos. “Quando o crédito rotativo passa a ser utilizado de forma recorrente, o risco de endividamento prolongado aumenta significativamente”, alerta Aline Maciel, diretora da Serasa.
Sobrevivência vs. Consumo
Diferente do que o senso comum pode sugerir, o endividamento não está atrelado ao consumo supérfluo. Para 38% dos brasileiros, o gatilho da inadimplência foi o desemprego ou a perda de renda.
A pesquisa aponta que o crédito tem sido utilizado como ferramenta de sobrevivência financeira. O pagamento de contas básicas e a quitação de outras dívidas são os principais motivos que levam os cidadãos a buscar recursos bancários.
“A pesquisa reforça que o endividamento bancário no Brasil não está ligado ao consumo impulsivo, mas a uma tentativa de manter o básico em dia”, afirma Aline Maciel. Para a diretora, quando itens essenciais como alimentação e saúde entram na fatura do cartão sem lastro financeiro, o “efeito bola de neve” torna-se quase inevitável.



