
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está articulando um empréstimo de R$ 20 bilhões junto ao Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e instituições privadas para socorrer financeiramente os Correios.
A operação contará com garantias da União e estará condicionada à implementação de medidas de saneamento financeiro e administrativo na estatal.
O objetivo é recompor as perdas acumuladas nos últimos três anos e nos dois primeiros trimestres de 2025. Somente entre abril e junho, o prejuízo chegou a R$ 2,6 bilhões.
Segundo fontes do governo, o crédito servirá para financiar um programa de demissão voluntária (PDV), quitar dívidas com fornecedores e viabilizar investimentos voltados ao aumento da eficiência operacional.
Desde 2022, os Correios enfrentam queda constante nas receitas. O prejuízo foi de R$ 767 milhões em 2022, R$ 596 milhões em 2023 e R$ 2,59 bilhões em 2024. O cenário se agravou em 2025: o rombo do primeiro semestre chegou a R$ 4,37 bilhões, um aumento de 222% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A nova presidência da estatal, agora sob comando de Emmanoel Schmidt Rondon, funcionário de carreira do Banco do Brasil, tenta reverter o quadro de crise deixado pela gestão anterior. O executivo substituiu Fabiano da Silva em setembro.
Entre as causas apontadas para as dificuldades financeiras está a queda nas encomendas internacionais, especialmente após a criação da chamada “taxa das blusinhas”, medida do Ministério da Fazenda que restringiu importações de pequeno valor sem pagamento de tributos. A estatal informou que essas mudanças “impactaram diretamente a geração de receitas” e intensificaram a concorrência com empresas privadas de logística.
Além dos bancos públicos, o BTG Pactual e outras instituições privadas também são cotadas para participar da operação de crédito. Procurada, a direção dos Correios não se manifestou sobre o tema.



