Flu quase se enrola nas próprias pernas, mas se classifica para as oitavas

A classificação do Fluminense às oitavas de final da Copa do Brasil quase teve a tranquilidade pedida. Mas, ultimamente, parece que há algo que impede a equipe tricolor de tirar a nota 10. A superioridade diante do Operário, 8ª colocado da Série B do Brasileirão, foi nítida dentro de campo, mas o placar de 2 a 1, nesta terça-feira, no Maracanã, revive uma sina: ao mesmo tempo em que os tricolores produzem para golear, se enrolam nas próprias pernas e criam um drama desnecessário.

O roteiro foi parecido com o visto contra o Vitória, no último sábado. Com a bola no pé e cabeça no lugar, o Fluminense teve chances para garantir a vaga com facilidade. Mas bastou um erro para se enrolar. No Brasileirão, foi pênalti de Alisson e o “apagão” de 10 minutos. Na Copa do Brasil, foi a falha de Jemmes no gol do Operário. Por isso, é difícil avaliar o momento da equipe de Zubeldía: merece elogios pelo que produz na frente, mas repete problemas que custam caro atrás. Nesta terça, não interferiu para ficar com a vaga.

De positivo, é preciso falar de Lucho Acosta. O futebol não é videogame e, às vezes, não damos a devida importância sobre as conexões e entrosamento no futebol, que não são construídos do dia para a noite. Num curto período de tempo, Zubeldía perdeu seus dois melhores jogadores de meio-campo por lesão — Lucho e Martinelli. Não surpreende que a volta do argentino fez o Fluminense subir de produção. A vaga nas oitavas está na conta dele, pelo pênalti sofrido e gol marcado.

De negativo, é cansativo e repetitivo, mas o Fluminense não aprende com os próprios erros no que diz respeito a pênaltis. De novo, trocou o batedor oficial. De novo, perdeu. E não tem essa de ninguém falaria se acertasse — estaria errado igual. O Fluminense é o último clube que pode relaxar quando o assunto é penalidade. Minutos depois, Lucho recebeu cartão vermelho, mas o árbitro anulou após consultar o VAR. Mas e se não voltasse? E se a falha de Jemmes no final do jogo tivesse levado o adversário a um empate?

Por fim, além de vencer, o Fluminense precisa de tranquilidade para sair da crise em que se enfiou. Classificações em mata-mata são importantes para fazer o ambiente mudar. O jogo decisivo do mês será contra Bolívar, pela Conmebol Libertadores. Então, até lá, é preciso ir resgatando a confiança daquele time que encantou o país nos primeiros meses do ano. A classificação na Copa do Brasil pode ter sido o primeiro passo.

A vaga foi merecida, mas a importância maior dela é ser um ponto de virada para a recuperação da confiança. Ainda há muito a melhorar, mas já está melhor do que antes.

GE

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