Estudo aponta que aumento de 5% na velocidade pode elevar em até 20% as mortes no trânsito

(Foto: Ilustração)

Um levantamento da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego indica que um aumento de apenas 5% na velocidade permitida em uma via pode resultar em crescimento de até 20% no número de mortes entre os usuários que circulam por ela.

O dado integra a diretriz Tolerância Humana a Impactos: implicações para a segurança viária, elaborada pela entidade.

Segundo a Abramet, o documento reúne evidências científicas que reforçam a necessidade de considerar os limites físicos do corpo humano na formulação de políticas públicas de trânsito. De acordo com a entidade, a energia liberada em um sinistro cresce de forma exponencial conforme a velocidade aumenta, podendo ultrapassar rapidamente a capacidade do organismo de suportar o impacto.

O presidente da associação, Antonio Meira Júnior, destacou que o problema envolve também fatores biológicos. Conforme ele, quando esses limites são ignorados, mesmo velocidades consideradas legais podem resultar em maior número de mortes ou sequelas graves.

A diretriz aponta ainda que reduções pequenas na velocidade têm potencial para diminuir significativamente o risco de fatalidades, enquanto aumentos aparentemente modestos ampliam a gravidade dos acidentes. O documento também chama atenção para o crescimento da frota de SUVs e veículos com frente elevada, que, segundo o estudo, podem aumentar o risco de lesões fatais em pedestres e ciclistas.

Dados do sistema DataSUS indicam que pedestres, ciclistas e motociclistas representam mais de três quartos das internações hospitalares relacionadas ao trânsito. A entidade atribui esse cenário à combinação de alta velocidade, infraestrutura inadequada e baixa proteção física desses usuários.

O estudo foi divulgado em um momento de debate sobre a renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), autorizada pela Medida Provisória 1327/2025. A diretriz destaca que condições de saúde, como envelhecimento, doenças neurológicas e distúrbios do sono, podem reduzir a tolerância do corpo a impactos, o que reforça a importância de avaliações médicas periódicas.

A Abramet também recomenda que gestores públicos adotem limites de velocidade compatíveis com a tolerância humana, além de investir em gestão da velocidade e campanhas educativas voltadas à segurança viária.

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