
Conversações para o fim definitivo do conflito estão suspensas durante o período de luto no Irã.
No mesmo período em que o Irã realiza as cerimônias fúnebres do líder supremo Ali Khamenei, morto no conflito com os Estados Unidos, o presidente americano, Donald Trump, discursou em eventos comemorativos dos 250 anos da independência dos EUA. Na ocasião, Trump referiu-se ao resultado das ações militares como uma vitória dos Estados Unidos, enquanto os dois países mantêm negociações há semanas em busca de um acordo, ainda sem resolução definitiva.
“Tivemos um sucesso tremendo”, declarou Trump em referência às Forças Armadas norte-americanas. “Você olha para a Venezuela, você olha para o Irã. Nós eliminamos isso, eliminamos as forças militares deles”, afirmou o chefe da Casa Branca.
Paralelamente, em Teerã, participantes do funeral de Khamenei manifestaram pedidos de retaliação contra o presidente dos EUA. Gholamreza Sabooni, de 29 anos, trabalhador do comércio local que compareceu às cerimônias, declarou: “Eles mataram nosso imã; nós deveríamos matar o líder deles, Trump.”
Outro presente no funeral, Mohammad Reza Sharifi, defendeu uma reação oficial do país. “Nossa política externa não deve ser moldada de uma forma que permita que o sangue do nosso líder martirizado seja desonrado e que outros países possam fazer esse tipo de coisa sem qualquer resposta séria do nosso governo e do sistema diplomático”, afirmou.
Suspensão temporária das negociações
O cronograma do funeral prevê o transporte do corpo de Khamenei por cidades do Irã e do Iraque. O cortejo principal com o caixão pelas ruas de Teerã está agendado para esta segunda-feira (6). Como parte do protocolo de luto nacional, que se estenderá até quinta-feira (9), as autoridades locais determinaram o fechamento de vias públicas e restrições no espaço aéreo. O sepultamento ocorrerá no santuário do imã Reza, em Mashhad, cidade natal de Khamenei.
Em razão das cerimônias, as conversações diplomáticas para estabelecer o fim permanente da guerra foram temporariamente suspensas. Analistas apontam que a mobilização popular nas ruas é vista pelo governo iraniano como uma demonstração de apoio interno, no momento em que o país tenta utilizar sua influência estratégica sobre o Estreito de Ormuz como elemento de barganha nas negociações.



