COP30 reacende debate sobre impactos da transição energética no Semiárido

(Foto: Internet)

A Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), realizada em Belém, segue até 21 de novembro reunindo representantes de 198 países em busca de soluções para limitar o aquecimento global a 1,5°C.

Na abertura do evento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a transição energética como estratégia central para conter o avanço das mudanças climáticas.

A transição energética consiste na substituição de combustíveis fósseis por fontes renováveis, como solar e eólica, consideradas menos poluentes. Apesar dos benefícios ambientais, o processo tem gerado impactos relevantes em regiões como o Semiárido baiano.

Municípios como Jaguarari e Campo Formoso convivem com obras de grandes complexos híbridos de energia, a exemplo do Manacá, que prevê centenas de torres eólicas e quase meio milhão de placas solares. A instalação afeta áreas de nascentes e ecossistemas que reúnem espécies da Caatinga, Mata Atlântica e Cerrado.

Comunidades tradicionais — indígenas, quilombolas e ribeirinhas — também sentem os efeitos da expansão desses empreendimentos. Entre os impactos relatados estão perda de território, danos culturais e ambientais e riscos à produção de alimentos. Maria Rosa Almeida, do movimento Salve As Serras, afirma que as intervenções têm contribuído para o desaparecimento de abelhas e morcegos, o que afeta diretamente a agricultura local.

Outra preocupação envolve práticas de “maquiagem verde” (greenwashing), quando empresas promovem uma imagem de sustentabilidade que não corresponde aos impactos reais. Segundo o movimento, há casos em que o Estado atua de maneira permissiva no licenciamento ambiental, com pouca fiscalização.

Especialistas alertam que a transição energética deve ser acompanhada de rigor no cumprimento das normas ambientais. Para Amilton Oliveira Mendes, da ASPAFF, o avanço da matriz renovável não pode ocorrer à custa da flexibilização das leis. Ele defende uma abordagem que garanta justiça ambiental e proteja as comunidades atingidas.

Enquanto a COP30 busca caminhos globais para reduzir emissões, o debate sobre os efeitos locais da transição energética mostra que o desafio vai além da troca de tecnologias: envolve também garantir que o processo seja sustentável para o meio ambiente e para as populações que vivem nos territórios impactados.

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