
Durante entrevista ao programa Espaço Aberto, da Rural FM, o cientista político Roberval Souza fez uma análise ampla e crítica sobre o atual cenário político brasileiro, abordando temas como compra de votos, crise de valores, insegurança jurídica, papel das redes sociais e as perspectivas para as eleições de 2026.
Segundo Roberval, ainda há dois fatores determinantes que influenciam o comportamento do eleitor brasileiro: a relação de dependência com políticos locais e a prática da compra de votos.
Ele citou, como exemplo, relatos de que na última eleição municipal em Petrolina o voto teria sido comercializado por valores em torno de R$ 100. Para o cientista político, essa prática é reflexo direto da ausência de educação política e de princípios éticos sólidos na sociedade.
“O eleitor muitas vezes acha que deve algo ao político, quando na verdade é o político que deve ao eleitor. Isso revela uma inversão de valores”, afirmou.
Roberval também criticou duramente o que chamou de crise moral e institucional no país, destacando a perda de credibilidade da Justiça, especialmente das instâncias superiores. Ele citou pesquisas que apontam a queda da confiança popular no Judiciário e classificou o momento atual como de “grave insegurança jurídica”.
Ao comentar o cenário nacional, o cientista político avaliou que o presidente Lula caminha para uma candidatura em 2026 em um contexto delicado, sobretudo em razão da idade avançada e da ausência de uma sucessão política consolidada dentro do PT. Na visão dele, o partido não preparou novas lideranças ao longo dos últimos anos e estaria submetendo Lula a um “sacrifício político”.
Outro ponto de destaque da entrevista foi a transformação no campo da comunicação política. Roberval ressaltou que o poder antes concentrado na grande mídia migrou para as redes sociais, onde a transparência, a imagem e a coerência do discurso passaram a ter peso decisivo.
“Hoje, quem mente não sustenta audiência. As redes sociais expõem gestos, expressões e contradições. Isso mudou completamente a dinâmica eleitoral”, avaliou.
Ele também afirmou que as eleições futuras serão definidas majoritariamente no ambiente digital, a menos que ocorram interferências fora do processo democrático. Segundo Roberval, a economia e o sistema financeiro exercem um controle cada vez maior sobre as decisões políticas, influenciando reformas, tributações e políticas públicas.
Ao analisar o campo da direita, Roberval apontou que a disputa em 2026 deve começar fragmentada no primeiro turno, com vários nomes colocados, mas com tendência de aglutinação no segundo turno. Ele destacou o governador Ronaldo Caiado como um nome que dificilmente abrirá mão de disputar a Presidência e avaliou que pesquisas de primeiro turno, nesse momento, têm pouca relevância prática.
Encerrando a entrevista, o cientista político defendeu que o Brasil vive um momento decisivo e que cabe à população escolher entre continuar sob a predominância do poder econômico ou buscar um equilíbrio entre política, economia e justiça social.



