Bolsonaro descarta deixar o Brasil e diz que denúncia da PGR é “indefensável”

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou nesta terça-feira (15) que não pretende deixar o Brasil mesmo diante da possibilidade de ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), onde responde como réu por tentativa de golpe de Estado. Em entrevista ao site Poder360, Bolsonaro citou problemas de saúde e sua idade como impeditivos para sair do país.

“Estou com 70 anos, cheio de problemas de saúde. Como eu vou para outro país?”, disse. Ele passou pela sétima cirurgia em abril, todas relacionadas à facada que sofreu durante a campanha presidencial de 2018.

Indagado sobre a chance de ser preso, respondeu que “tudo pode acontecer” e voltou a afirmar que sua liberdade representa um incômodo.

Na segunda-feira (14), a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao STF a condenação de Bolsonaro e de mais sete aliados, apontados como parte do núcleo principal de articulação para um golpe de Estado. A acusação inclui crimes como organização criminosa, tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito e golpe.

Segundo a PGR, Bolsonaro foi o principal líder das ações para romper a ordem constitucional, utilizando sua posição à frente do Executivo para mobilizar recursos e aliados, com o objetivo de desacreditar o processo eleitoral. A Procuradoria sustenta que o golpe só não foi consumado por falta de adesão das Forças Armadas.

Bolsonaro reagiu ironizando a acusação: “É quase você se defender, por exemplo, de ter matado um marciano. E nem o corpo do marciano estava lá”. Ele voltou a afirmar que estava nos Estados Unidos no dia 8 de janeiro de 2023, quando ocorreu a invasão às sedes dos Três Poderes, e negou envolvimento com os atos golpistas.

O ex-presidente também criticou a Polícia Federal, alegando que a corporação não teria se empenhado na investigação sobre o atentado que sofreu. A Polícia Federal concluiu que Adélio Bispo agiu sozinho.

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