
O executivo é suspeito de negligenciar práticas de governança e autorizar operações sem lastro com o Banco Master. A ação cumpre mandados no DF e em São Paulo.
A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (16), uma nova fase da Operação Compliance Zero, resultando na prisão de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB). A investigação apura irregularidades em negócios firmados entre o banco público e o Banco Master, incluindo operações financeiras sem garantias (lastro) e falhas graves de governança.
Ao todo, os agentes federais cumprem 7 mandados de busca e apreensão e de prisão em Brasília e São Paulo.
O Pivô da Investigação
Paulo Henrique Costa assumiu o comando do BRB em 2019, por indicação do governador Ibaneis Rocha (MDB). Sob sua gestão, o banco iniciou uma controversa tentativa de aquisição do Banco Master (pertencente ao banqueiro Daniel Vorcaro).
O executivo já estava afastado do cargo desde novembro de 2025, por determinação judicial, após o início da primeira fase da operação. Com vasta experiência no mercado financeiro e especializações no exterior, Costa é agora o foco central das suspeitas de gestão temerária.
Os Pontos-Chave do Caso BRB vs. Master
A relação entre as duas instituições está sob a lupa das autoridades devido a três frentes principais:
Veto do Banco Central: A tentativa do BRB de comprar uma fatia relevante do Master foi barrada pelo BC. O órgão regulador concluiu que o negócio era economicamente inviável e transferia riscos excessivos e desnecessários ao patrimônio público.
Carteiras de Crédito “Podres”: A PF investiga se o BRB adquiriu carteiras de crédito problemáticas do Master. O objetivo é verificar se houve dolo ou omissão nos processos internos de análise e aprovação dessas operações.
Ausência de Lastro: Há suspeitas de que recursos públicos foram empenhados em transações com o Master sem as garantias financeiras mínimas exigidas pelo mercado.
Prejuízos e Depoimentos
Em depoimentos anteriores ao Supremo Tribunal Federal (STF), foi mencionado que parte dos valores pagos ao Master não foi recuperada após a liquidação de determinadas operações.
O foco da PF agora é quantificar o prejuízo efetivo aos cofres do Distrito Federal e identificar se houve recebimento de vantagens indevidas para a facilitação desses negócios.



