Servidores públicos estão entre os suspeitos de fraudar concurso do TJPE, afirma delegado

Tribunal de Justiça de Pernambuco. (Foto: internet)

A Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) deflagrou, nesta quarta-feira (25), a operação Kyma, que apura um esquema de fraude no concurso do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) para o cargo de técnico judiciário.

As provas, realizadas em setembro de 2025, foram anuladas após a identificação de irregularidades.

Ao todo, foram expedidos 11 mandados de prisão e 22 de busca e apreensão contra os investigados. Entre os suspeitos estão servidores públicos, incluindo dois policiais militares, além de um guarda municipal do Rio Grande do Norte e um policial penal.

As ações ocorreram em municípios de Pernambuco, como Recife, Paulista, Jaboatão dos Guararapes, Vitória de Santo Antão e Petrolina, além de cidades de outros estados.

De acordo com o delegado Júlio César, as investigações apontam que uma pessoa teria se infiltrado na equipe responsável pela aplicação das provas, obtendo acesso ao conteúdo e repassando as informações ao líder do grupo. As questões eram resolvidas por outros integrantes e, posteriormente, os gabaritos eram vendidos a candidatos.

O esquema também envolvia o uso de dispositivos eletrônicos para transmissão das respostas durante a prova. Segundo a polícia, alguns participantes utilizavam equipamentos adaptados para comunicação, enquanto outros recorriam a anotações escondidas para consulta.

Ainda conforme a investigação, os valores pagos pelos candidatos variavam entre R$ 2 mil e R$ 5 mil como entrada. Caso fossem aprovados, poderiam pagar quantias entre R$ 50 mil e R$ 70 mil, a depender do cargo.

Os envolvidos podem responder por organização criminosa, fraude em concurso público e lavagem de dinheiro. Parte dos valores era movimentada por meio de terceiros, com o objetivo de dificultar o rastreamento.

O concurso foi organizado pelo Instituto Brasileiro de Formação e Capacitação (IBFC) e previa formação de cadastro reserva, com remuneração inicial de R$ 5.858,86. A seleção incluía provas objetivas e discursivas. A Polícia Civil segue investigando o caso.

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