Arrecadação federal de janeiro atinge maior valor da série histórica

Superintendência da Receita Federal, em Brasília.

A arrecadação federal chegou a R$ 325,8 bilhões em janeiro de 2026, o maior valor já registrado para o mês desde o início da série histórica, em 1995, segundo dados divulgados pela Receita Federal do Brasil. O número representa um crescimento real de 3,56% em relação a janeiro de 2025, já descontada a inflação.

O resultado supera o valor observado no mesmo período do ano anterior e indica que a União conseguiu ampliar suas receitas logo no início do ano fiscal, mesmo em um cenário de ajustes tributários e prioridades econômicas.

Principais tributos que puxaram a arrecadação

Entre os destaques da arrecadação de janeiro estão:

  • Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre rendimentos de capital, com crescimento expressivo de cerca de 32,5% em termos reais, com arrecadação próxima de R$ 14,7 bilhões.

  • Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), com alta real de quase 49%, somando cerca de R$ 8 bilhões, refletindo alterações na legislação tributária no ano anterior.

  • Tributação sobre apostas online e jogos de azar saltou de valores baixos para cerca de R$ 1,5 bilhão em janeiro, devido à regulamentação do setor e maior tributação aplicada recentemente.

  • Receita previdenciária também avançou, totalizando aproximadamente R$ 63,5 bilhões, influenciada pelo crescimento da massa salarial formal no país.

Embora tributos ligados à importação e ao Imposto de Produto Industrializado (IPI) tenham apresentado recuos em janeiro, o desempenho geral mostra que a base de arrecadação continua resiliente.

Contexto mais amplo da arrecadação federal

Os dados de arrecadação de janeiro se somam a um contexto de crescimento da receita pública observado ao longo de 2025. No ano passado, a arrecadação total da União com impostos e outras receitas alcançou cerca de R$ 2,89 trilhões, também um recorde anual, com crescimento real em relação a 2024.

Especialistas consideram que esse desempenho é resultado de uma combinação de fatores, entre eles:

  • medidas tributárias aprovadas nos últimos dois anos;

  • avanço da atividade econômica em setores-chave;

  • maior formalização da massa salarial;

  • melhora na fiscalização e coleta de tributos.

Esses fatores contribuíram para que, desde 2021, a arrecadação federal se mantenha em trajetória de alta, ultrapassando crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em diversos períodos recentes.

A alta na arrecadação no início do ano também representa um indicador importante para o governo federal buscar o cumprimento das metas fiscais de 2026, que incluem um superávit primário previsto de cerca de R$ 34,3 bilhões, conforme o arcabouço fiscal vigente.

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