
Com a entrada em vigor das tarifas norte-americanas de até 50% sobre produtos brasileiros prevista para 1º de agosto, alguns estados já articulam medidas para reduzir os prejuízos ao setor produtivo.
Em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra estuda a implantação de ações que devem apoiar produtores atingidos pela redução nas exportações.
Entre as medidas em análise estão: a criação de uma linha de crédito específica para empresários afetados, a aquisição de frutas do Sertão para uso na merenda escolar e o abastecimento da frota estadual exclusivamente com etanol. As propostas foram discutidas em reunião com representantes do setor produtivo, realizada na quarta-feira (23).
Renato Cunha, presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), confirmou que parte dessas alternativas já foi apresentada ao governo, como a compra de frutas para uso na alimentação escolar e o uso do etanol, o que pode fortalecer a cadeia local de biocombustíveis. Cunha lembrou que açúcar e etanol estão diretamente ligados na produção: as usinas decidem a proporção entre os dois produtos, como 52% para etanol e 48% para açúcar, a depender das condições de mercado.
Dados do Sindaçúcar apontam que o Nordeste pode perder até US$ 220 milhões em exportações de açúcar entre outubro de 2025 e setembro de 2026. Pernambuco detém cerca de 30% da cota da região, a depender da safra. No setor de frutas, o Vale do São Francisco responde por 90% das exportações de manga e uva para os EUA. No momento, 36,8 mil toneladas de manga estão paradas, com prejuízo estimado em US$ 48 milhões.
Outros estados também anunciaram iniciativas. Em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas lançou uma linha de crédito de R$ 200 milhões e autorizou a liberação de créditos de ICMS. Goiás criou uma linha de financiamento com juros abaixo de 10% ao ano. No Paraná, a Secretaria da Fazenda vai ouvir setores mais vulneráveis, como madeira, café e suco de laranja. Já no Rio de Janeiro, um grupo de trabalho foi criado para avaliar impactos e propor alternativas.
Essas ações refletem a preocupação dos governos estaduais com os efeitos das tarifas sobre a economia local e os empregos nas cadeias produtivas voltadas à exportação.



