
O presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol), Áureo Cisneiros, criticou o Governo do Estado após a ausência de diálogo com representantes da categoria durante uma passeata realizada no Recife.
Segundo ele, policiais civis foram ao Palácio do Campo das Princesas para tentar conversar com a governadora Raquel Lyra, mas não foram recebidos.
De acordo com Áureo, a categoria enfrenta problemas antigos, como falta de estrutura, déficit de efetivo e baixos salários, que, segundo o sindicato, estão entre os menores do país. Ele afirmou que nem a governadora nem integrantes do secretariado atenderam os manifestantes, sob a justificativa de que a chefe do Executivo estaria em viagem.
Durante entrevista, o presidente do Sinpol também questionou os investimentos anunciados pelo governo estadual nas redes sociais. Para ele, os números divulgados não correspondem à realidade vivida nas delegacias. Segundo o sindicalista, a rotina dos policiais continua marcada por carência de recursos e falta de valorização profissional.
Áureo Cisneiros comentou ainda denúncias divulgadas em reportagem nacional sobre um suposto uso político da Polícia Civil em casos de espionagem. Ele afirmou que, conforme as informações apresentadas, não haveria registros formais nem autorização judicial que justificassem monitoramentos prolongados. Para o presidente do Sinpol, a Polícia Civil é uma instituição de Estado e não deve ser utilizada para fins políticos.
O sindicalista destacou que, em situações de ordens consideradas irregulares, os policiais que as cumprem acabam expostos, enquanto os responsáveis pelas decisões tentariam se isentar de responsabilidades.
Diante da falta de diálogo, o Sinpol anunciou uma paralisação de 24 horas da Polícia Civil marcada para o dia 4, com abrangência em delegacias e unidades de todo o estado. O sindicato também informou que novas mobilizações estão previstas e não descartou a possibilidade de greve, caso não haja avanço nas negociações.
Segundo a entidade, a categoria permanece aberta ao diálogo, mas cobra respeito institucional, valorização profissional e esclarecimentos sobre as denúncias envolvendo a atuação da Polícia Civil de Pernambuco.



