Roberval Souza analisa pesquisas eleitorais e cenário político de Pernambuco

Roberval Souza destacou o papel da metodologia e da credibilidade nas pesquisas eleitorai

O cientista político Roberval Souza, da Arcete Consultoria, participou nesta segunda-feira(13) do programa Espaço Aberto, da Rural FM, para analisar o cenário político de Pernambuco, explicar o funcionamento das pesquisas eleitorais e comentar os principais fatores que influenciam os levantamentos divulgados durante o período pré-eleitoral. Durante a entrevista, ele defendeu a importância da educação política da população e alertou para os cuidados na interpretação dos números divulgados pelos institutos de pesquisa.

Segundo Roberval, um dos principais motivos para a divergência entre pesquisas é a metodologia adotada por cada instituto. Ele explicou que fatores como a definição do campo pesquisado, o tamanho da amostra, a distribuição dos entrevistados e os critérios estatísticos utilizados influenciam diretamente os resultados. Como exemplo, citou pesquisas realizadas apenas na Região Metropolitana do Recife, que naturalmente apresentam cenários diferentes daqueles encontrados em levantamentos que abrangem todo o estado de Pernambuco.

O cientista político afirmou ainda que é comum receber pedidos para avaliar pesquisas produzidas por empresas e partidos políticos e revelou que já recusou propostas que buscavam influenciar tecnicamente os resultados dos levantamentos. Segundo ele, a credibilidade de uma pesquisa depende da independência técnica e do respeito aos critérios científicos. “Pesquisa séria não pode ser construída para favorecer candidato A ou B. O compromisso precisa ser com os dados e com a realidade encontrada nas entrevistas”, destacou.

Durante a entrevista, Roberval explicou que muitas pessoas confundem margem de erro com margem de confiança. Ele ressaltou que uma pesquisa nunca representa uma previsão definitiva do resultado das urnas, mas sim um retrato do momento em que foi realizada. De acordo com ele, mesmo levantamentos tecnicamente corretos trabalham com margem de confiança de até 95%, razão pela qual não devem ser tratados como resultado antecipado de uma eleição.

Outro tema abordado foi o crescimento da influência das redes sociais nas campanhas eleitorais. Para Roberval, a comunicação política deixou de ser concentrada apenas na televisão e no rádio e passou a depender fortemente do ambiente digital. Apesar disso, ele afirmou que a credibilidade continua sendo o principal patrimônio de qualquer liderança política. Segundo o cientista político, conteúdos falsos podem alcançar grande repercussão momentânea, mas dificilmente conseguem manter influência duradoura quando confrontados com a realidade.

O avanço da inteligência artificial também esteve entre os assuntos debatidos. Roberval observou que a tecnologia já permite a produção de vídeos, imagens e conteúdos altamente realistas, tornando indispensável que eleitores desenvolvam senso crítico para avaliar aquilo que circula nas redes sociais. Para ele, a inteligência artificial representa uma ferramenta que pode ser utilizada tanto para informar quanto para manipular, dependendo da forma como é empregada.

Ao comentar o cenário político de Pernambuco, Roberval avaliou que a disputa pelo Governo do Estado permanece aberta, mas destacou que a governadora Raquel Lyra fortaleceu sua posição política nos últimos meses ao ampliar sua base de apoio com prefeitos e lideranças municipais. Segundo ele, a definição do quadro eleitoral dependerá das convenções partidárias, da formação das chapas e das alianças que ainda estão sendo negociadas.

O cientista político também comentou a movimentação em torno das candidaturas ao Senado. Segundo ele, o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, reúne um grupo significativo de prefeitos em torno de seu projeto político, o que demonstra competitividade para a disputa. No entanto, ressaltou que as definições ocorrerão apenas após a oficialização das convenções partidárias.

Encerrando a entrevista, Roberval defendeu que o Brasil precisa investir mais na formação política da população. Na avaliação dele, quanto maior o conhecimento dos eleitores sobre o funcionamento das instituições, das pesquisas e do processo eleitoral, mais qualificado será o debate democrático e mais conscientes serão as escolhas feitas nas urnas.

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