
A Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE) confirmou, nesta quinta-feira (23), a terceira morte causada por intoxicação por metanol no estado. A vítima é uma mulher da cidade de Salgueiro, no Sertão pernambucano. Os outros dois óbitos ocorreram em Lajedo, no Agreste.
Os primeiros casos foram notificados no início de setembro, quando três pessoas apresentaram sintomas neurológicos e visuais graves após ingerirem um uísque adulterado, comprado de um caminhão proveniente de São Paulo.
De acordo com o diretor de Vigilância Epidemiológica da SES-PE, José Lacerda Lancart, Pernambuco já contabiliza 83 notificações de suspeita de intoxicação por metanol desde 30 de setembro. Cinco casos foram confirmados (três em Lajedo e dois em Salgueiro), 60 descartados e 18 permanecem em investigação.
Em Salgueiro, as vítimas foram duas irmãs, de 25 e 28 anos, que consumiram uma bebida destilada do tipo uísque adquirida no próprio município. Segundo o delegado Tiago Callou, titular da Delegacia de Salgueiro, a mulher que não resistiu teve metanol identificado no exame pericial, realizado pelo Instituto de Medicina Legal (IML) de Petrolina. A sobrevivente também apresentou a substância no sangue.
De acordo com o perito criminal Rafael Arruda, os exames indicaram níveis alarmantes da substância: 258 mg/dL na vítima fatal — cerca de 12 vezes acima do limite que exige intervenção médica — e 67 mg/dL na sobrevivente.
O caso está sendo investigado pela Polícia Civil, que apura a origem e a rede de distribuição da bebida adulterada. A garrafa consumida foi descartada pelas vítimas.
A mulher que sobreviveu foi tratada com fomepizol, antídoto indicado para intoxicação por metanol. Segundo a SES-PE, o atendimento seguiu o protocolo do Ministério da Saúde, o que foi decisivo para sua recuperação.



