Cientistas políticos avaliam os reflexos e impactos políticos provocados pela Operação “Vassalos”, deflagrada pela Polícia Federal, e analisam como o episódio pode repercutir no tabuleiro eleitoral em Pernambuco, especialmente em um ano de disputas estratégicas.
Para a cientista política Priscila Lapa, episódios dessa natureza costumam gerar efeitos imediatos no capital político dos envolvidos, ainda que o desfecho jurídico leve tempo. Segundo ela, o impacto não se restringe à esfera legal, mas atinge principalmente a imagem pública.
“O capital político passa também pela imagem. Quando essa imagem sofre algum tipo de arranhão ou de fissura, isso pode interferir diretamente na capacidade de negociação. O grupo político chega mais fragilizado às conversas para formação de alianças e composição de chapas”, avalia.
Ela destaca que o momento em que ocorre a investigação é determinante. Como o cenário eleitoral já está em fase inicial de articulações, qualquer fator de instabilidade pode pesar na montagem de alianças.
“Quando esse tipo de fato acontece durante a construção do processo eleitoral, especialmente no período de articulação de palanques, cria-se um elemento de fragilização. Isso pode reduzir o capital político necessário para firmar os melhores acordos e composições”, acrescenta.
A influência regional da família Coelho em Petrolina também entrou na análise da cientista política e doutoranda Barbara Salviano, da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf). Para ela, é preciso observar o histórico de hegemonia política do grupo na cidade antes de projetar impactos mais amplos.
“Mesmo com a magnitude de uma operação como essa, é difícil calcular de imediato o impacto eleitoral. A família constrói influência política e econômica em Petrolina há quase um século. Desde a década de 1970, mantém uma hegemonia quase contínua na política local, seja diretamente ou por meio de aliados”, explica.
Barbara ressalta que dois fatores serão determinantes para medir possíveis efeitos: a opinião pública e o posicionamento de outras lideranças políticas.
“O apoio de outras instâncias e figuras políticas pode amortecer impactos. A Câmara Municipal, por exemplo, tem maioria de parlamentares alinhados ao grupo político local, o que pode contribuir para manter a imagem positiva na cidade. Além disso, historicamente, o grupo se adapta aos movimentos das arenas estadual e nacional, o que pode influenciar a recomposição de alianças”, analisa.
No campo político, Miguel Coelho e Fernando Filho divulgaram nota afirmando tranquilidade diante das investigações e defenderam que o crescimento de Petrolina não será interrompido. Ambos indicaram que manterão atuação política e confiança na Justiça.
Para especialistas, o cenário ainda é cedo para conclusões definitivas. O impacto eleitoral dependerá não apenas do andamento das investigações, mas da narrativa pública construída ao longo dos próximos meses — especialmente em um ambiente de alta polarização e disputa por alianças estratégicas.




