
Uma operação do Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM), coordenada pela Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) do Ministério do Trabalho e Emprego, resgatou 20 trabalhadores em condições análogas à escravidão nas cidades de Exu e Parnamirim, no Sertão de Pernambuco.
As inspeções ocorreram entre 26 de outubro e 5 de novembro e também registraram cinco resgates em Caldeirão Grande do Piauí (PI) e um em Juazeiro do Norte (CE). Um adolescente de 15 anos foi encontrado atuando na quebra de pedras em Exu.
Ao todo, oito frentes de trabalho ligadas à extração e beneficiamento de pedras de paralelepípedo foram fiscalizadas, além de uma obra pública que utilizava o material. Em seis locais, os auditores constataram condições degradantes, ausência de direitos trabalhistas e risco à vida dos empregados.
Segundo o relatório, os trabalhadores viviam em barracos de lona e madeira, sem banheiros, água potável ou instalações adequadas. Dormiam em colchões velhos, preparavam refeições em fogões improvisados e utilizavam água contaminada. Em algumas pedreiras, foram identificados explosivos artesanais acionados por baterias automotivas prática considerada de alto risco.
Nenhum dos empregados tinha carteira assinada ou equipamentos de proteção. Parte da produção das pedreiras abastecia obras públicas, o que, segundo os fiscais, evidencia falhas de controle sobre a origem dos materiais.
O GEFM garantiu o resgate dos trabalhadores, pagamento de verbas trabalhistas, três parcelas do seguro-desemprego especial e encaminhamento à rede de assistência social. A Defensoria Pública da União firmou Termos de Ajuste de Conduta (TACs) para assegurar indenizações por danos morais individuais.



