
A Câmara Municipal do Recife rejeitou, nesta terça-feira (3), o pedido de admissibilidade para a abertura de um processo de impeachment contra o prefeito João Campos (PSB). A decisão foi tomada em uma sessão acompanhada por galerias lotadas e clima acirrado, com placar de 25 votos contrários, nove favoráveis e uma abstenção.
O requerimento foi apresentado pelo vereador Eduardo Moura (Novo), após a repercussão envolvendo a nomeação de um candidato classificado na 63ª posição em concurso público, em vaga destinada à cota para pessoa com deficiência (PCD).
Moura sustentou que o prefeito teria cometido crime de responsabilidade e ato de improbidade administrativa, apresentando um relatório com cerca de 480 páginas para embasar o pedido.
Durante a discussão, o líder do governo na Casa, vereador Samuel Salazar (MDB), saiu em defesa do prefeito, afirmando que a nomeação seguiu critérios legais e classificou o pedido como sem fundamento jurídico.
A sessão foi marcada por manifestações nas galerias. Apoiadores do prefeito exibiram faixas e entoaram palavras de ordem durante a fala do parlamentar de oposição. Já a vereadora Jô Cavalcanti (PSOL), integrante da base governista, optou pela abstenção, decisão que gerou críticas por parte de apoiadores de João Campos presentes no plenário.
Do lado de fora da Câmara, grupos contrários ao governo municipal também se mobilizaram em defesa da abertura do processo, com faixas pedindo investigação. Após o resultado da votação, vereadores da oposição tentaram se pronunciar, mas foram vaiados por apoiadores do prefeito que ainda permaneciam na galeria.
Com o fim da sessão, o clima de tensão se estendeu para a área externa da Casa. Houve registro de confronto físico entre manifestantes de posições políticas opostas, o que exigiu a intervenção da Guarda Municipal. A Polícia Militar e o Grupamento Tático Operacional (GTO) também estiveram no local para garantir a ordem.



