
Aumento de despesas com precatórios trava receita dos Correios e eleva custo de dívida com bancos
O aumento inesperado nas despesas com precatórios comprometeu diretamente o faturamento dos Correios ao longo de 2025, após um sindicato de bancos acionar cláusulas contratuais que bloquearam os recursos recebidos pela prestação de serviços da estatal.
O impasse financeiro teve origem em uma operação de R$ 1,8 bilhão, assinada pela gestão anterior de Fabiano Silva dos Santos, que previa a estabilidade no estoque de dívidas judiciais da empresa como garantia para os credores. Com a necessidade de reconhecer novas perdas judiciais durante o ano, esse limite foi ultrapassado, permitindo que as instituições financeiras Citibank, BTG Pactual e Banco ABC do Brasil retivessem os valores depositados em contas garantia e exigissem o pagamento antecipado do débito.
De acordo com documentos exclusivos do Departamento de Controladoria da estatal, o bloqueio imposto pelos bancos criou um cenário de alta criticidade, impactando a capacidade dos Correios de honrar obrigações trabalhistas, tributárias e pagamentos a fornecedores estratégicos. O presidente da companhia, Emmanoel Schmidt Rondon, relatou que a falta de liquidez no segundo semestre de 2025 afetou severamente a continuidade de serviços essenciais e a capacidade de recuperação financeira da empresa, que acumulava cerca de R$ 5 bilhões em compromissos não cumpridos até o final daquele ano.
Para reverter o bloqueio e recuperar o acesso ao seu faturamento, a estatal foi forçada a renegociar o contrato sob condições mais rígidas. O novo acordo elevou o limite de precatórios reconhecidos para R$ 2,5 bilhões, mas impôs custos elevados, como o pagamento de uma taxa de dispensa de obrigação contratual no valor de R$ 44,8 milhões, quitada entre novembro e dezembro de 2025. Além disso, as taxas de juros foram reajustadas em uma escala progressiva, passando dos originais 3% ao ano para 4%, e atingindo 5% ao ano a partir de 28 de novembro. Essa mudança elevou a taxa efetiva da operação de 21,99% para 25,67% ao ano.
A renegociação também alterou o fluxo de desembolsos, antecipando pagamentos que seriam semestrais a partir de maio de 2026 para parcelas mensais com início em janeiro de 2026. Diante desse aperto financeiro, a diretoria passou a tratar a captação de um novo empréstimo de R$ 12 bilhões como prioridade absoluta, visando tanto a recomposição do caixa quanto a quitação integral da dívida de R$ 1,8 bilhão. Existe, contudo, uma previsão de alívio caso a estatal consiga um aporte de capital superior a R$ 5 bilhões, o que permitiria o retorno da taxa de juros ao patamar original do contrato.



