
Durante abertura da Feira de Hannover, presidente defendeu a transição energética e reforçou a parceria estratégica com o governo de Friedrich Merz.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, neste domingo (19), que o Brasil tem sido um dos países menos impactados pelos recentes conflitos no Oriente Médio, especialmente no que diz respeito à volatilidade do preço do petróleo. Durante o discurso de abertura da Feira Industrial de Hannover, na Alemanha, Lula classificou as hostilidades envolvendo o Irã como “maluquice”.
“O Brasil é um dos países menos afetados pela maluquice da guerra com o Irã. Não estamos sofrendo o aumento do preço do petróleo como muitos países, pois o governo tomou medidas estratégicas e o Brasil hoje importa apenas 30% do seu óleo diesel”, declarou o petista.
Transição Energética e Sustentabilidade
O presidente enfatizou a urgência global em encontrar alternativas aos combustíveis fósseis, posicionando o Brasil como protagonista na nova matriz energética. Segundo Lula, o país possui potencial para produzir o “hidrogênio verde mais barato do mundo”.
Ele também aproveitou o fórum internacional para:
Lula pregou a necessidade de “refundar” a Organização Mundial do Comércio.
Criticou barreiras comerciais contra produtos brasileiros baseadas em “narrativas falsas” sobre a sustentabilidade da agricultura nacional. Afirmou que o Brasil não será um “mero exportador” de terras raras, buscando atrair tecnologia para o processamento interno.
Críticas à “Diplomacia Digital” e Relação com a Alemanha
Em um tom mais crítico à política externa dos Estados Unidos, Lula afirmou que o mundo não pode ficar refém de decisões impulsivas tomadas em redes sociais, em clara referência ao estilo de governo de Donald Trump.
“Não podemos permitir que o mundo se curve ao comportamento de um presidente que acha que, por e-mail ou por tweet, pode taxar produtos, punir países e fomentar guerras”, pontuou.
Ao finalizar, Lula reforçou o pragmatismo diplomático na relação com o país anfitrião. Ele destacou que sua interlocução com o chanceler alemão, Friedrich Merz, é estritamente de Estado, independentemente de divergências ideológicas.
“Quero dizer ao primeiro-ministro Merz que o Brasil está de braços abertos para discutir qualquer tema — inteligência artificial, data centers e minerais críticos. Não há vetos para a Alemanha”, concluiu o presidente.



