Petróleo rompe barreira de US$ 100 após colapso em negociações e ameaça de bloqueio por Trump

O mercado internacional de energia reagiu com forte volatilidade neste domingo, 12 de abril, levando os preços do petróleo de volta ao patamar de três dígitos. A escalada ocorre após o fracasso das negociações de paz entre Irã e Estados Unidos em Islamabad e a subsequente ameaça do presidente Donald Trump de impor um bloqueio naval total ao Estreito de Ormuz.

Por volta das 19h, o barril do tipo Brent, referência global, registrava alta de 6,80%, negociado a US$ 101,93, enquanto o WTI avançava 7,98%, atingindo os US$ 104,27.

O impasse diplomático foi confirmado pelo vice-presidente dos EUA, JD Vance, que deixou o Paquistão na madrugada de domingo após 21 horas de conversas de alto nível. Segundo Vance, que manteve contato direto com a Casa Branca durante todo o processo, as tratativas foram encerradas devido à recusa de Teerã em aceitar os termos americanos para garantir que o país não desenvolva armas nucleares ou os meios para obtê-las rapidamente. Washington buscava um compromisso definitivo, mas a falta de consenso sobre as inspeções e o enriquecimento de urânio implodiu o diálogo.

Diante do colapso das conversas, o presidente Donald Trump elevou o tom nas redes sociais, anunciando que a Marinha dos EUA iniciará uma operação para interceptar navios comerciais em águas internacionais que paguem taxas ao governo iraniano. A medida visa interromper o fluxo de cerca de 2 milhões de barris de petróleo iraniano que ainda circulam pelo Estreito de Ormuz, aumentando a pressão econômica sobre o regime de Teerã em meio ao conflito iniciado em 28 de fevereiro.

Essa nova diretriz agrava o cenário logístico na região, que já opera com níveis críticos de tráfego. Embora a última semana tenha apresentado uma breve melhora com a passagem de três superpetroleiros não iranianos, o movimento diário continua na casa de um dígito, um contraste drástico em relação às 135 travessias diárias registradas em tempos de normalidade. Com o fim do frágil cessar-fogo e o retorno das ameaças de bloqueio, a incerteza sobre o fornecimento global deve manter a pressão de alta sobre a commodity nos próximos dias.

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