
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, neste sábado, durante a Cúpula Celac-África, em Bogotá, que países da América Latina e da África devem preservar sua soberania sobre recursos minerais estratégicos, como as terras raras.
Em discurso, o presidente destacou que essas nações não podem voltar a ocupar o papel de simples exportadoras de matérias-primas. Segundo ele, a exploração desses recursos deve estar associada ao desenvolvimento interno, com geração de valor e industrialização.
Lula ressaltou que países como o Brasil já conquistaram sua independência e não devem permitir interferências externas que comprometam sua integridade territorial ou econômica. Ele também citou exemplos de exploração histórica em países da região.
As chamadas terras raras são um conjunto de 17 elementos químicos utilizados na produção de tecnologias como baterias, turbinas eólicas, semicondutores e equipamentos eletrônicos. Apesar do nome, não são necessariamente escassas, mas sua extração e processamento são complexos e exigem alto investimento.
Dados do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) indicam que as reservas brasileiras desses minerais têm valor estimado equivalente a quase duas vezes o Produto Interno Bruto (PIB) do país, o que coloca o Brasil em posição estratégica no cenário global.
O tema ganha relevância em meio à disputa internacional por minerais críticos, considerados essenciais para a transição energética e o avanço tecnológico.
Recentemente, os Estados Unidos convidaram o Brasil a integrar uma coalizão voltada à mineração e ao fornecimento desses recursos. O governo brasileiro, no entanto, ainda avalia a proposta e seus possíveis impactos.
A posição oficial tem sido de cautela, com ênfase na necessidade de garantir que eventuais acordos priorizem o desenvolvimento da cadeia produtiva nacional, incluindo etapas como refino e beneficiamento.



