Petrolina apresenta plano para controle de cães de rua e prevê ampliação de castrações

Em entrevista ao programa Espaço Aberto da Rural FM, na manhã desta quarta-feira, o diretor-presidente da Agência Municipal do Meio Ambiente, Marcelo Gama, e o diretor-presidente da Agência Municipal de Vigilância Sanitária, Acácio Andrade, apresentaram detalhes do novo plano municipal de manejo e controle da população de cães em Petrolina.

A iniciativa foi estruturada a partir de um diagnóstico situacional que identificou o crescimento de matilhas em diferentes regiões da cidade, cenário que tem gerado preocupação entre moradores e ampliado a demanda por ações do poder público.

De acordo com os gestores, o plano reúne diferentes setores da administração municipal e marca uma mudança na condução das políticas públicas voltadas aos animais. A partir de agora, a Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ) passa a concentrar suas ações na saúde pública, enquanto a AMA assume a responsabilidade pelas estratégias de bem-estar animal.

Durante a entrevista, Marcelo Gama destacou que a reestruturação busca dar mais eficiência às ações. Segundo ele, a separação das competências permite que cada órgão atue de forma mais específica, ampliando a capacidade de resposta do município diante do problema.

Um dos principais instrumentos do plano será o Castramóvel, unidade móvel de esterilização que passará a atuar diretamente nos bairros. A proposta é descentralizar o atendimento e facilitar o acesso da população e de protetores independentes ao serviço.

Dados apresentados durante a entrevista indicam que Petrolina já possui uma capacidade significativa de atendimento. Somente no último ano, mais de 2.600 animais foram castrados. Em ações pontuais, o número chegou a ultrapassar 100 procedimentos em um único dia. Com a ampliação da estrutura, a meta da gestão é atingir até 800 castrações mensais.

Apesar da capacidade operacional, os gestores reconhecem que o principal desafio ainda é o pós-operatório dos animais, especialmente aqueles em situação de rua. Atualmente, esse acompanhamento tem sido realizado com o apoio de protetores independentes e organizações da sociedade civil.

Para enfrentar essa limitação, a Prefeitura estuda a implantação de um Centro de Acolhimento Temporário (CAT), destinado à recuperação dos animais após os procedimentos cirúrgicos. Também estão em andamento tratativas para viabilizar um espaço adequado, de forma provisória ou definitiva.

Outro ponto destacado foi o papel da castração no controle das matilhas. Segundo Acácio Andrade, a esterilização contribui diretamente para a redução da reprodução descontrolada e do comportamento agressivo dos animais, especialmente em períodos de cio, quando há maior concentração de cães nas ruas.

O plano terá duração inicial de 120 dias e, neste primeiro momento, será direcionado exclusivamente aos animais em situação de rua, com prioridade para áreas consideradas críticas. A expectativa da gestão é que, após esse período, o município esteja estruturado para ampliar o atendimento também a animais com tutores.

Além das ações imediatas, a Prefeitura também avança na construção de uma clínica veterinária municipal, que deverá reforçar a política de bem-estar animal. A primeira etapa da unidade tem previsão de entrega entre maio e junho.

Os gestores ressaltaram, ainda, que a participação da população será fundamental para o sucesso da iniciativa, especialmente por meio da atuação de protetores independentes e denúncias que auxiliem na identificação de áreas com maior concentração de animais.

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