
O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Pernambuco (Sindicombustíveis-PE), Alfredo Pinheiro Ramos, concedeu entrevista ao programa Espaço Aberto, da Rural FM, na manhã desta segunda-feira (16), para comentar os fatores que têm influenciado os recentes aumentos no preço dos combustíveis no país.
Durante a conversa, Alfredo apontou que o cenário internacional tem impacto direto nos valores praticados no Brasil. Segundo ele, a guerra no Oriente Médio contribuiu para a elevação do preço do barril de petróleo no mercado global, o que acaba refletindo em diversos países consumidores.
De acordo com o dirigente, a valorização do petróleo e do dólar provoca efeitos em cadeia na economia. Ele também destacou que a disputa internacional por fornecedores, envolvendo grandes consumidores como China e Índia, pode pressionar ainda mais o preço da commodity.
Outro ponto abordado foi a dependência do Brasil de combustíveis importados. Segundo Alfredo, a Petrobras não é responsável por todo o abastecimento nacional. Parte significativa do combustível comercializado no país é fornecida por importadores privados e refinarias privatizadas, como a refinaria da Bahia, atualmente operada pela Acelen.
Como esses produtos são negociados em dólar e com base no preço internacional do petróleo, oscilações externas acabam impactando o valor final.
Na entrevista, o presidente do Sindicombustíveis também comentou medidas adotadas pelo governo federal para tentar conter o aumento do diesel, como a redução do PIS/Cofins sobre o combustível importado. Segundo ele, embora a medida tenha representado uma redução estimada de cerca de 29 centavos por litro, o reajuste aplicado posteriormente pela Petrobras acabou reduzindo parte desse efeito.
Alfredo também explicou mudanças no modelo de fornecimento da Petrobras para distribuidoras. De acordo com ele, parte do combustível passou a ser adquirida por meio de leilões, o que, em alguns casos, elevou o preço pago pelas distribuidoras.
Ele destacou ainda que o valor final do combustível resulta de uma cadeia que envolve refinarias, importadores, distribuidoras e postos. Assim, aumentos registrados em etapas anteriores acabam sendo repassados até chegar ao consumidor.
Durante a entrevista, o dirigente também comentou o impacto do diesel na economia. Segundo ele, cerca de 65% das mercadorias transportadas no Brasil dependem do transporte rodoviário, o que faz com que variações no combustível influenciem os custos logísticos e, consequentemente, o preço de diversos produtos.
Alfredo Pinheiro Ramos também afirmou que diferenças nos preços entre cidades podem ocorrer devido a fatores como logística, volume de vendas, concorrência e custos operacionais.
Ao final, ele ressaltou que os postos de combustíveis fazem parte da última etapa da cadeia de distribuição e que os valores praticados são influenciados pelos custos repassados ao longo do processo.



