
O Partido Liberal (PL) reuniu cerca de 50 parlamentares em Brasília, nesta segunda-feira (24), para discutir a estratégia política após a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro, decretada no sábado por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF.
O encontro contou com a presença da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e dos filhos Flávio, Carlos e Renan, além do presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto.
Após a reunião, que durou mais de duas horas, o senador Flávio Bolsonaro afirmou que a prioridade do partido será a aprovação de um projeto de anistia amplo, direcionado aos condenados e investigados pelos atos de 8 de Janeiro e ao próprio ex-presidente. Segundo ele, propostas que tratem apenas da redução de penas não têm interesse para a legenda.
Flávio sustentou que a prisão preventiva de Bolsonaro seria resultado de “intolerância religiosa”, argumento baseado no entendimento de Moraes de que a convocação de uma vigília no sábado poderia facilitar uma tentativa de fuga. “Fomos acusados de organização criminosa por exercer o direito ao culto”, disse o senador.
Integrantes do PL afirmaram que a estratégia será concentrar a comunicação nesse ponto, considerado a fragilidade da decisão, uma vez que a violação da tornozeleira ocupa parte menor do despacho, segundo eles. O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho, afirmou que a convocação da vigília teria sido determinante na medida cautelar.
As eleições de 2026 também foram discutidas. Flávio Bolsonaro declarou que todas as definições de candidaturas no campo bolsonarista dependerão do ex-presidente, descartando, por ora, seu próprio nome para a disputa presidencial e afirmando que buscará o Senado no Rio de Janeiro.
A bancada do PL também sinalizou que votará contra a indicação de Jorge Messias ao STF. Carlos Bolsonaro, por sua vez, mencionou vitórias recentes da direita na América Latina como fator que, segundo ele, poderia favorecer a soltura do ex-presidente.
As declarações revelam o reposicionamento político da sigla diante da nova fase do processo, que segue em curso no Supremo Tribunal Federal.



