
O tema da segurança pública dominou novamente o plenário da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) nesta quarta-feira (19).
O presidente da Casa, deputado Álvaro Porto (PSDB), afirmou que o cenário de violência no estado contrasta com a comunicação institucional do Governo. Para ele, a gestão estadual trabalha com uma “narrativa controlada” que não reflete a realidade enfrentada pela população.
Porto citou dados que, segundo ele, evidenciam o agravamento da situação: mais de 9.570 homicídios registrados ao longo da atual gestão; 266 mortes apenas em outubro; e crescimento de 20% nos casos de feminicídio entre janeiro e agosto deste ano, na comparação com 2024.
O parlamentar também destacou que Pernambuco conta com 15 delegacias da mulher, das quais apenas sete funcionam 24 horas.
O presidente da Alepe criticou ainda as condições de trabalho na Polícia Civil e afirmou que a categoria enfrenta dificuldades operacionais. Ele também questionou o uso de publicidade institucional para apresentar resultados que, segundo sua avaliação, não condizem com os números.
A fala recebeu apoio de diversos deputados, que citaram problemas relacionados à segurança e à proteção de profissionais de diferentes áreas. Gilmar Júnior (PV) afirmou que apenas 29% dos profissionais de enfermagem se sentem seguros no local de trabalho, com base em estudo do Conselho Federal de Enfermagem. Dani Portela (PSOL) apontou o aumento das mortes de mulheres em 2025 e o não cumprimento de metas relacionadas ao combate à violência de gênero.
Também se manifestaram os deputados Romero Albuquerque (União), Sileno Guedes (PSB), Diogo Moraes (PSB), Waldemar Borges (MDB), Mário Ricardo (Republicanos), Abimael Santos (PL) e Coronel Alberto Feitosa (PL), a maioria reforçando as críticas apresentadas.
Em contraponto, Joel da Harpa (PL) destacou que a governadora enfrenta os efeitos de anos de sucateamento na segurança pública e afirmou que mudanças estruturais não ocorrem de forma imediata. Já João Paulo (PT) defendeu uma política integrada entre municípios, estado e União, além de ações voltadas à valorização profissional e à proteção das populações mais vulneráveis. Ele citou dados da Rede de Observatórios da Segurança que apontam que, em 2024, 92,6% das vítimas fatais em ações policiais eram negras e que mais de 66% tinham até 29 anos.
João Paulo informou ainda a apresentação, junto à deputada Rosa Amorim (PT), do Projeto de Lei nº 3518/2025, que propõe uma política estadual de atendimento nas delegacias voltada ao enfrentamento do racismo e da intolerância religiosa.
No tempo destinado às lideranças, o deputado alertou para o aumento do endividamento associado às plataformas de apostas, afirmando que o tema deve ser enfrentado com regulamentação mais rigorosa.



