
Lembro-me de uma ocasião que ficou marcada na memória como um desses instantes em que a vida parece parar para nos ensinar algo.
Eu estava sentado na recepção do setor de protocolo da Prefeitura de Petrolina, aguardando o momento de ser chamado para protocolar meu pedido de aposentadoria. Era um dia comum, mas que se tornaria inesquecível.
De repente, entra na sala o ex-aluno Ênos André. Ele olha para trás, me vê, volta alguns passos e, num gesto de respeito e ternura, se curva e me abraça. Foi um momento de profunda emoção. Com os olhos brilhando, ele disse:
— Professor Remígio, que alegria poder abraçá-lo!
Por alguns segundos, faltou-me o ar. Respirei fundo e respondi, com um sorriso misto de gratidão e despedida:
— Meu caro Ênos, estou aqui para dar entrada no meu pedido de aposentadoria. A partir de hoje, sou ex-professor.
Ele me olhou com firmeza e respondeu, sem hesitar:
— Professor Remígio, o senhor jamais será chamado de “EX”. Aprendi com meu pai que professor será sempre professor.
Suas palavras ecoaram fundo em minha alma. Aquele momento simples se transformou em um símbolo. Diante de mim estava um ex-aluno, hoje também professor e servidor público na Bahia, repetindo, com orgulho, o legado de respeito e gratidão que ultrapassa salas de aula e tempos de ensino.
Fiquei comovido. Percebi que ser professor é mais que exercer uma profissão — é deixar marcas, é plantar sementes que florescem onde menos esperamos. O gesto de Ênos André me fez entender que o magistério não termina com a aposentadoria, pois quem ensina com amor permanece vivo na memória e na caminhada de seus alunos.
Por isso, neste gesto simbólico e carregado de significado, estendo minha homenagem a todos os professores e professoras. Homens e mulheres que dedicam sua vida a ensinar, inspirar e transformar. Todos são essenciais, todos são construtores silenciosos do desenvolvimento humano e social.
Ser professor é, acima de tudo, ser eterno.
Por Rinaldo Remígio
Professor universitário aposentado e memorialista!



