
Parlamentares de oposição na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) denunciaram, na sessão plenária desta segunda-feira (22), possíveis irregularidades em pagamentos feitos pelo Estado à Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Garanhuns (Agreste Meridional). O hospital tem como sócio o marido da vice-governadora Priscila Krause (PSD), Jorge Branco Neto.
Segundo o deputado Rodrigo Farias (PSB), entre 14 e 29 de março deste ano, período em que a vice-governadora esteve no comando do Estado interinamente, foram realizados 25 repasses em 15 dias, totalizando mais de R$ 3 milhões — cerca de 12,4% dos recursos transferidos ao hospital em 2025.
Farias apontou que o volume de pagamentos coincidiu com alterações na estrutura financeira e jurídica da Secretaria de Saúde, incluindo mudanças na comissão de licitação. Ele afirmou que levará a denúncia aos órgãos competentes para investigação.
O tema recebeu apoio de outros deputados da oposição, como Waldemar Borges (MDB), Sileno Guedes (PSB) e Cayo Albino (PSB), que criticaram a situação da rede estadual de saúde, apontando problemas como superlotação e manutenção precária de hospitais e UPAs.
Em resposta, parlamentares governistas ressaltaram que o hospital está credenciado há mais de 20 anos na rede complementar do Estado e que os pagamentos correspondem à prestação de serviços ao SUS, com auditoria periódica do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Izaías Régis (PSDB) e Débora Almeida (PSDB) defenderam que não há indícios de irregularidade e que a gestão da governadora Raquel Lyra tem promovido a interiorização dos serviços de saúde.
O debate evidencia a tensão entre oposição e governo em torno da fiscalização de recursos públicos na área da saúde e reforça a atenção sobre a transparência nos repasses a unidades hospitalares vinculadas a familiares de autoridades políticas.



