
Durante sessão na Comissão de Segurança Pública do Senado Federal, realizada na última terça-feira (2), parlamentares repercutiram o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) e questionaram a atuação de ministros da Corte.
O coronel Alberto Feitosa (PL) comentou o relato do ex-chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE, Eduardo Tagliaferro, que apontou suposto uso indevido da estrutura do tribunal pelo ministro Alexandre de Moraes.
Segundo Feitosa, magistrados não podem realizar buscas probatórias sem objetivo certo, classificando a conduta como possível fraude processual, inclusive no contexto do julgamento sobre os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
“Diante do que foi mostrado ontem no Senado Federal, eu pergunto: pode esse inquérito prosperar sem que haja uma apuração dessas fraudes?”, questionou Feitosa.
Por outro lado, o deputado João Paulo (PT) destacou que Bolsonaro enfrenta hoje as consequências de suas decisões, citando ações contra a democracia e a sociedade brasileira. O parlamentar mencionou encontro do ex-presidente com o coronel Ricardo Melo Araújo, em que Bolsonaro teria afirmado que, aos 70 anos, sua vida já havia acabado, sem demonstrar arrependimento por mortes na pandemia ou ameaças às instituições.
A jornalista e comentarista Dani Portela afirmou que o julgamento é histórico, pois pela primeira vez militares de alta patente são analisados por um tribunal civil. Ela defendeu respostas rigorosas do STF para fortalecer a democracia, classificando Bolsonaro como o pior presidente da história recente do país. Portela também criticou tentativas do ex-presidente e de seu filho de pressionar o governo dos EUA e o Congresso Nacional para aprovar a anistia, afirmando que tais ações evidenciam covardia política.
O episódio mostra a polarização em torno do julgamento de Bolsonaro, com questionamentos sobre a atuação judicial e a responsabilização política do ex-presidente e aliados.



