Tarifa de Trump afeta exportações de mel orgânico do Piauí e impacta produtores nordestinos

A imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos, anunciada pelo presidente Donald Trump e prevista para entrar em vigor em 1º de agosto, já provoca impactos diretos na economia do Nordeste.

No Piauí, tradicional exportador de mel orgânico, duas grandes operações foram canceladas em decorrência do chamado “tarifaço”.

Entre as remessas suspensas estão 585 toneladas do Grupo Sama, uma das maiores exportadoras globais do setor, e 95 toneladas da cooperativa Casa Apis, localizada no sul do estado. A medida afetou cerca de 12 mil pequenos produtores de mel do Piauí, Ceará, Maranhão e Bahia, cujos produtos são processados no Piauí e em São Paulo antes da exportação.

Os importadores norte-americanos temem que as cargas cheguem aos Estados Unidos após a data de início da tarifa, o que elevaria significativamente o custo do produto. Apenas no caso do Grupo Sama, estima-se que o aumento seria de aproximadamente US$ 6 milhões. Parte do mel já se encontrava no porto, outra em fase de beneficiamento e o restante ainda em trânsito, o que obriga os exportadores a arcar com custos adicionais de armazenamento em câmaras refrigeradas.

De acordo com Islano Marques, gestor da Área Internacional e Mercado da Federação das Indústrias do Estado do Piauí (Fiepi), o Piauí é o 22º estado brasileiro em exportações para os EUA, mas com forte dependência do setor melífero: cerca de 85% do mel exportado pelo estado tem os Estados Unidos como destino.

A Central de Cooperativas Apícolas do Semiárido Brasileiro (Casa Apis) informou que está negociando com os compradores internacionais a manutenção dos embarques já preparados. No entanto, há temor de perda de competitividade no mercado global e aumento de custos logísticos.

O Brasil é um dos principais produtores de mel do mundo e os Estados Unidos consomem cerca de 80% da produção nacional. O Piauí, apesar de não liderar em volume de produção, foi o maior exportador brasileiro do produto para o mercado americano em 2024.

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