
Nova taxa adicional de 25% entra em vigor no dia 22 de julho; açúcar, uva e produtos pet estão entre os setores mais atingidos no estado.
A Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe) avalia que o novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil pode impactar cerca de 70% das exportações pernambucanas para o país norte-americano. A medida, que consiste na aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, entra em vigor no dia 22 de julho.
A decisão foi tomada após uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que apontou práticas comerciais brasileiras descritas como injustas pelo governo estadunidense. Uma extensa lista de produtos ficou de fora das sobretaxas — incluindo carne, café, suco de laranja, petróleo, aeronaves e celulose —, mas as exceções cobrem apenas 30% do volume exportado pelo estado.
Em entrevista, o presidente da Fiepe, Bruno Veloso, afirmou que a entidade já esperava a aplicação da tarifa e informou que mantém diálogo com os governos brasileiro e americano para acompanhar os impactos da medida.
“Essa tarifa vai impactar 70% das exportações pernambucanas. Estávamos esperando, e a Fiepe, junto com a CNI [Confederação Nacional da Indústria], tem defendido o Brasil junto à Justiça americana. Nós, da Federação das Indústrias, levamos as pautas, fizemos a nossa defesa também à Justiça americana para que não fosse aplicada essa tarifa. O que nós sentimos muito é que está faltando muito diálogo com o governo brasileiro e com o governo americano”, afirmou.
De acordo com a federação, açúcar, uva e produtos pet estão entre os itens que devem ser mais afetados em Pernambuco. Bruno Veloso ressaltou que representantes dos setores já procuraram a entidade para discutir alternativas diante do novo cenário comercial.
“Temos um diálogo muito aberto com toda a base industrial brasileira, inclusive, pernambucana. Mas o que a gente precisa entender é que a relação Brasil com os Estados Unidos é uma relação de complementariedade da industrialização. Nossos produtos, muitas vezes, não se adequam para novos mercados. É preciso haver uma adaptação. Esse mercado americano é um mercado que interessa muito ao país e interessa muito a todos os pernambucanos”, declarou.
A liderança também apontou que a sobretaxa deve provocar reflexos no mercado de trabalho local, agravando uma tendência de retração nas vendas externas observada nos últimos períodos.
“Nós tivemos no ano 2024 para 2025 uma redução de mais de 20% das nossas exportações. Isso já implicou na empregabilidade. E a gente também admite que vai haver uma nova queda da nossa exportação, implicando também perdas de emprego”, concluiu Veloso.
G1 Pernambuco



